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quarta-feira, 28 de maio de 2008

SOCIOLOGIA, LITERATURA E FANTASIA: Os critérios do fato literário e as condições de uma sociologia da literatura.

O escritor é um fabulador: não diz a verdade e é sempre a verdade que ele diz... à sua maneira.

Sociologia, Literatura e Fantasia:

Os critérios do fato literário e as condições de uma sociologia da literatura.

Comentários de leituras porJacob (J.) Lumier

As dificuldades antepostas a uma sociologia da literatura ligam-se à orientação intelectual do chamado espírito burguês afirmando a independência total da cultura e da arte em relação às formas sociais, de tal sorte que a interpretação da arte não estaria contida na vida social. Daí surge o obstáculo da interdição pela sociedade.

O receio de um efeito literalmente ameaçador da ordem torna o fato literário negado na sua significação, combatido como pura fantasia. Distingue-se uma espécie de respeito ao fato literário envolvendo-o em certo mistério.

Desta atitude provêm duas representações desfavoráveis à sociologia da literatura, seguintes: (a) – uma, a chamada teoria do gênio, que interpreta a figura do autor em termos do inexplicável e inesperado no concerto das paixões e dos pensamentos humanos; (b) – outra, referida à elaboração da obra, é a teoria romântica da inspiração, do mistério da criação, etc. Além disso, o espírito burguês pode levar os escritores a não gostarem de se ver integrados pela sociologia [1].

Podem-se observar algumas tentativas de pesquisa que, não obstante o pensamento objetivo, pouco favoreceram a sociologia da literatura. Umas porque mantiveram a opacidade intocável do fato literário; outras porque acentuaram a sua redução. No primeiro caso, resume-se a tentativa mais conhecida que foi a de TAINE, incluindo os seus colaboradores. No segundo caso, nota-se a tentativa marxista e a psicanalítica.

Comenta-se que TAINE esperava fundamentar uma ciência positivista e determinista da literatura tomando como motivos de explicação (a) – a descoberta em cada escritor de uma faculdade mestra; (b) – a gênese dessa faculdade mestra a partir das suas três famosas condições: a raça, o meio e o momento. O dogmatismo de TAINE é flagrante na analogia com as ciências naturais. No prefácio de sua obra “La Fontaine et ses Fables”, o ponto de vista naturalista vem a ser aplicado ao homem, tomando-o como um animal de espécie superior que produz as filosofias e os poemas pouco mais ou menos como os bichos da seda tecem os seus casulos e as abelhas elaboram os favos [2].

Quanto aos seus continuadores, se repele o simplismo na aplicação do dogmatismo de TAINE, questionando-se, sobretudo a abordagem analítica redutiva na qual a obra literária, tida como mistério inefável e impenetrável, vem a ser reportada a um fator mais ou menos arbitrariamente escolhido.

Em relação à tentativa marxista, por sua vez, se lhe reconhece o mérito sociológico de empreender a inter-relação do espírito e das suas produções com os quadros sociais. O primeiro critério de análise marxista da obra literária é a fidelidade à realidade social. Nada obstante, a tentativa marxista de reduzir a literatura a um fato de conhecimento mediante a tipologia das visões de mundo atribuída a Georges Lukacs, é censurada por ameaçar a especificidade do fato literário. Ao traçar um método comum a todas as obras de pensamento tornou-se inevitável por conseqüência desprezar o que distingue precisamente o fato literário dos outros fatos [3] .

Censura idêntica se aplica à tentativa psicanalítica, em cuja abordagem necessariamente se tem de partir sempre de uma redução implicando uma negação da especificidade. Por contra, as condições de uma sociologia da literatura implicam a distinção entre fato literário e fato de conhecimento.

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O problema das relações com a sociologia do conhecimento

Com efeito, já observamos que o fato literário é para uma sociedade um modo de ela tomar consciência de si própria. Daí advem o tabu que acentua exatamente a especificidade do fato literário e faz reconhecer no mesmo um fato de valor não confundível com as suas condições genéticas nem com as suas condições de sobrevivência, nem tampouco com as intenções do seu criador, nem enfim com as suas repercussões psicossociais.

Aquilo que há na obra literária pelo qual se chega à afirmação de que a literatura satisfaz certa necessidade cultural não utilitária, ou seja: o valor literário, é inicialmente o elemento que difere um livro de poemas ou um romance de um jornal. Sem dúvida, o qualificativo e o valor que ocorrem imediatamente aos leitores, pelo que eles identificam o fato literário, não é o mesmo para todos os públicos.

A identificação do fato literário seja como romance ou poema ou ensaio se define também socialmente e não apenas pelo método, sem que isto impeça tomar-se o valor literário como ponto de partida da pesquisa sociológica. Tanto é assim que, para Albert MEMMI, a tarefa específica dessa pesquisa é a sociologia do fato literário, que este autor qualifica como uma sociologia privilegiada diante do objeto impresso. No seu dizer, trata-se da sociologia do que é adequado ao fato literário, do que neste não coincide com outra coisa, não coincide com o escrito como mercadoria, como produto de transformação, etc.[4]

Na busca dessa adequação é que se aprofunda o problema das relações com a sociologia do conhecimento chegando-se aos seguintes resultados: (a) – se um fato literário pode nos ensinar certas coisas e se a literatura é por isso uma das técnicas de comunicação social, o sociólogo deve precaver-se, entretanto de que é sempre possível uma distorção dos fatos: as informações dadas pelos escritores não atendem à finalidade de uma enquête.

Quer dizer, (b) – embora possa admitir-se que o autor tenha a intenção de ensinar-nos certas coisas, as intenções do autor de obra literária são evasivas ou mudam de rumo no decurso da atividade. O que diz é quase tão importante quanto a forma de dizê-lo, forma esta que por sua vez influi sobre o conteúdo do discurso acabando por transformá-lo.

O escritor é um fabulador: não diz a verdade e é sempre a verdade que ele diz... à sua maneira. A distorção é sempre possível, seja em conseqüência de uma reconstrução imaginativa, por razões de forma ou simplesmente por ardil (ditado por razões sociais).

A finalidade de uma obra literária não é a mesma de um documento , nada obstante admite-se possível interpretar as informações dadas pelos escritores considerada a finalidade estética da obra literária, na qual não se trata de representar a realidade social - para o que os jornais da época seriam superiores a todos os romances do mesmo período.

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A importância de Goethe ou de Shakespeare não provém de sua filosofia, mas de terem criado um objeto novo que é o objeto literário.

Desde o ponto de vista da finalidade literária e em face dos esforços de interpretação, o fato literário não pode ser reduzido a significações sociais nem a significações psicológicas para compreender, ajuizar e classificar as obras.

A significação considerada como atributo de uma visão de mundo mais ou menos coerente (uma weltanschaung) levaria a que os escritores surgiriam com espantosa insignificância ao lado dos pensadores: que seria um Rousseau ao lado de Kant? Gide comparado a Nietzsche? Por contra, as noções de objeto literário e eficácia estética levam a repensar em outro modo a significação aplicada ao fato literário: a importância de Goethe ou de Shakespeare não provem da sua filosofia, mas de terem criado um objeto novo que é o objeto literário.

Nesse objeto se encontram dotadas da máxima eficácia estética certo número de idéias (uma visão de mundo), mas também certo número de emoções. Se, favorecendo a especificidade do fato literário como configuração de valor, admitirmos que a eficácia está mais próxima da afetividade do que da idéia teríamos confirmada a constatação de que algumas idéias afetivamente muito significativas podem ser infinitamente mais eficazes do que uma weltanschaung.

Nesta perspectiva sobressai que a sociologia da literatura deve ser também uma sociologia da fantasia, de sorte que, ao se orientar para a apreensão do desejado em literatura, assume um ponto de vista interior ao fato literário, trazendo para o campo da sociologia as significações que a própria fantasia comporta ou elucida.

Antes de nos ensinar coisas, tais significações são aquelas de que nos ocupamos: a fantasia elucida de maneira tão indireta e tão variada que todos os achados, disfarces, fugas, subterfúgios estranhos devem ocupar-nos pelo menos tanto quanto podem ensinar-nos.

Albert Memmi sustenta que uma sociologie du voeu [5] implica e ultrapassa a noção de consciência possível aplicada na sociologia da literatura por Lucien Goldmann, entendida como noção que dá conta das aspirações tendenciais. Portanto, sendo um fato de valor, o objeto literário deve ser examinado como composto não somente de um elemento de significação, mas de jubilo, de relação com o criador, de relação com os leitores, etc.


Palavras chaves: fantasia / visão de mundo / fato de valor / eficácia estética /

/ objeto literário.

Categorias: Comunicação social / Sociologia / Literatura / Pesquisa / Conhecimento.

©2007 Jacob (J.) Lumier



[1] Ver o Artigo de Albert MEMMI intitulado “Problemas de Sociologia da Literatura”, publicado como colaboração no Tratado de Sociologia-Vol. 2, dirigido por Georges Gurvitch., Porto, Iniciativas editoriais 1968 (1ªedição em Francês: Paris, PUF,1960).

[2] Apud Albert Memmi, op.cit.

[3] Ibid. ibidem.

[4] Albert Memmi, op. cit.

[5] Voeu = aspiração como prece; desejo; engajamento como promessa ou juramento.


Este artigo é extraído do e-book de Jacob (J.) Lumier
“A SOCIOLOGIA DO ROMANCE À LUZ DA COMUNICAÇÃO SOCIAL”
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Creative Commons License
Esta obra está bajo una licencia de Creative Commons.

sábado, 10 de maio de 2008

Negritude e Iluminismo: Leopold Sédar Senghor


O escritor Léopold Sédar Senghor cujo centenário de nascimento foi celebrado no ano de 2006 em escala internacional foi inspirador do movimento da negritude a que se dedicou exaltar juntamente com os valores do humanismo. Era um herdeiro africano do Iluminismo convencido de que a civilização do universal era tanto um projeto político quanto cultural.

Léopold Sédar Senghor sustentou que a Francofonia é um modo de pensar e de ação, certa maneira de formular os problemas e buscar-lhes a solução. Lembrando a imagem da Diáspora, ensinava que a Francofonia é uma comunidade pensante em torno da terra, uma "noosphère”. Para além da língua, a Francofonia é o espírito da civilização francesa a que chamou “la Francité”.

Senghor recebeu em vida muitos prêmios literários, além dos que obteve como político e estadista. Esteve no Brasil em 1964, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela UFBa (Universidade Federal da Bahia). É considerado um dos fundadores da Francofonia moderna .

Dentre suas obras, além da constante busca por uma via africana para o socialismo, encontramos em Ethiopiques (poésie, Ed. du Seuil, Paris, 1956) um titulo particularmente interessante e revelador da visão de negritude afirmada por Léopold Senghor.

Acima de qualquer particularidade regional, de regime ou de país, sabemos que o gênio helênico da antiguidade clássica imortalizou na Odisséia a presença histórica muito antiga dos povos negros na origem do Ocidente através dos Etíopes.

Logo no início do relato épico, os Etíopes estão contemplados entre os preferidos dos Deuses. Visitados pelo próprio irmão de Zeus, Poseidon que os menciona expressamente. Aliás, foi essa ausência de Poseidon afastando-se do Olimpo para estar com os Etíopes que deu ensejo à intervenção de Atenéa promovendo a libertação de Odisseo e levando a epopéia até o fim. Portanto, a presença dos Etíopes na poética do gênio ocidental não é pouca coisa, não é simples menção “en passant”, mas compõe o destino épico.

A relação do negro com a cultura existe primordialmente através do texto histórico e da escrita inteligente. Portanto, nos resta esperar que exemplos como Martin Luther King, Jr. e Leopold Sedar Senghor sirvam para valorizar os projetos engajados na elevação intelectual ultrapassando toda a imagem populista que despreza a leitura.

La Francophonie est "un mode de pensée et d'action : une certaine manière de poser les problèmes et d'en chercher les solutions. Encore une fois, c'est une communauté spirituelle : une "noosphère" autour de la terre. Bref, la Francophonie, c'est, par-delà la langue, la civilisation française; plus précisément, l'esprit de cette civilisation, c'est-à-dire la Culture française, que j'appellerai "la francité".

Léopold-Sédar Senghor (09.10.1906 - 20.12.2001)

Fonte: Leituras do Século XX

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Há um filme intitulado Leopold Sedar Senghor no website da Cinefrance.

De Béatrice Soulé. PB. Duração 48’.

(França, 1996).

Leopold Sédar Senghor, homem político, farol da África, decidiu retirar-se em plena notorioridade. Béatrice Soulé quis magnificar esse cantor da negritude e da francofonia e confia à um jovem rapper a letra de Senghor, em que o natural e a vitalidade iluminam um passeio de imagens nos lugares da memória africana. Esse filme tem a forma de um longo poema ritmado pelas evocações sonoras.

http://www.cinefrance.com.br/cinemateca/documentarios/titulos/?filme=672

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NOTA COMPLEMENTAR:

"noosphère” - Terme proposé par Teilhard de Chardin en 1925. Formé du grec nòos : intelligence, esprit, et de sphère.

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

CRONOLOGIA DOS DIREITOS SOCIAIS NA MÍDIA








CRONOLOGIA DOS DIREITOS SOCIAIS NA MÍDIA
Em 29 de Fevereiro 2008, no Observatório da Imprensa.

Se a greve dos roteiristas já acabou antes do fim de Fevereiro o problema dos direitos sociais nas Mídias prossegue com as demissões havendo quem fale de "que esta é a quarta grande encruzilhada estratégica enfrentada pela imprensa norte-americana em 100 anos. A primeira foi durante a chamada Era Progressista (1890 a 1917) quando os Estados Unidos passaram por um período de reformas políticas; a segunda, por volta de 1930, quando o rádio mudou os hábitos dos americanos em matéria de informação; a terceira encruzilhada aconteceu no final da guerra do Vietnã; e a quarta, agora, quando a internet colocou a indústria dos jornais de pernas para o ar."


23/01/2008

JB On-line 23/01/2008

EUA: roteiristas e produtores de cinema e TV se reúnem nesta quarta

Agência AFP

LOS ANGELES - Os roteiristas e produtores de cinema e TV americanos retomam nesta quarta-feira 23/01/2008 as negociações para buscar uma saída para a crise que paralisa Hollywood, informaram nesta terça os respectivos sindicatos, em nota conjunta.
O sindicato americano de roteiristas (WGA) e a Aliança de produtores de Cinema e Televisão (AMPTP) "iniciarão um diálogo informal para determinar se há uma plataforma para que ambas as partes retomem negociações formais", destaca o texto.
- Tanto a AMPTP como o WGA concordaram em não realizar declarações públicas sobre as discussões informais, enquanto estas não estiverem concluídas - acrescentou.

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Warner Bros ameaça demitir pessoal devido à greve dos roteirist

JB Online 09/01/2008
WASHINGTON - O estúdio Warner Bros, que pertence ao grupo Time Warner, avisou nesta quarta-feira a cerca de mil trabalhadores que em breve haverá um número ainda indeterminado de demissões, devido à greve de roteiristas de cinema e televisão nos Estados Unidos.
Os avisos foram enviados porque, em determinadas circunstâncias, a lei pode exigir que o empregador notifique os trabalhadores sobre mudanças de elenco, explicou a Warner Bros em comunicado.
- Devido à greve do Sindicato de Roteiristas Americanos (WGA, sigla em inglês) algumas divisões dos estúdios terão que despedir empregados. Lamentamos o impacto na vida de nossos trabalhadores e esperamos que eles possam voltar a seus postos quando o WGA encerrar a greve - afirmou a companhia.
A greve dos roteiristas começou dia 5 de novembro e está causando grandes estragos à indústria de televisão e cinema nos EUA. As perdas são milionárias, com projetos inacabados, séries interrompidas durante semanas e quedas de audiência devastadoras.
Na entrega dos prêmios People Choice Awards, na terça-feira, a audiência caiu 5,3 milhões de telespectadores em comparação com a edição do ano anterior, ficou em 6 milhões.
A rede "NBC" cancelou há dois dias a cerimônia do prêmio Globo de Ouro, devido ao boicote de muitos atores e candidatos aos prêmios, em apoio à greve dos roteiristas.
Segundo a imprensa americana, a "NBC" já estaria oferecendo a alguns anunciantes a devolução de dinheiro por causa do cancelamento da cerimônia, que normalmente gera cerca de US$ 20 milhões em venda de anúncios.
A greve dos roteiristas também ameaça a festa do Oscar, dia 24 de fevereiro.
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Roteiristas de Hollywood ganham batalhas, mas guerra continua.

JB Online 08/01/2008
Sue Zeidler, REUTERS
LOS ANGELES - Os roteiristas de Hollywood em greve venceram duas batalhas na segunda-feira, quando fecharam um acordo com a produtora de Tom Cruise e cancelaram a festa de entrega do Globo de Ouro, mas sua guerra trabalhista contra os estúdios de cinema e TV está longe de ter acabado.
Alguns especialistas acreditam que a estratégia dos roteiristas de selar acordos com produtoras independentes (como é a United Artists, de Tom Cruise) poderá até alimentar a determinação dos grandes conglomerados de mídia.
De fato, logo depois de a United Artists - comandada por Tom Cruise e a presidente-executiva Paula Wagner - ter anunciado seu acordo para permitir que membros do Sindicato de Roteiristas dos EUA (WGA, na sigla em inglês) trabalhem em seus filmes durante a greve, a controladora da produtora, a Metro-Goldwyn-Mayer, divulgou comunicado afirmando que discordava da decisão da UA.
Outros membros da Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP), que representa os grandes estúdios que estão negociando com o WGA, também comentaram o acordo da UA.
Philip Dauman, presidente-executivo da Viacom Inc., disse que acordos isolados como o da United Artists terão impacto mínimo.
- O problema só será resolvido de fato com um acordo entre o sindicato de roteiristas e as produtoras maiores, coletivamente - declarou.
Os cerca de 10.500 filiados do WGA entraram em greve contra a AMPTP em novembro devido a questões que incluem a quantidade de dinheiro que os roteiristas recebem quando seus trabalhos são divulgados na Internet.
Desde o início da greve, a produção de alguns programas de TV foi suspensa, vários filmes foram adiados e várias cerimônias de premiação de Hollywood, como a do Globo de Ouro, enfrentam obstáculos.
Na noite de segunda-feira, a rede NBC pôs fim a semanas de especulações, anunciando que os premiados com o Globo de Ouro serão anunciados em coletiva de imprensa, em lugar da tradicional cerimônia de gala.
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HOLLYWOOD EM GREVE
Talk shows voltam ao ar sem roteiristas
Observatório da Imprensa
Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 8/1/2008
Após dois meses de reprises, alguns dos populares talk shows americanos voltaram ao ar na primeira semana do ano – porém, sem os roteiristas. O sindicato da categoria mantém a greve, iniciada em novembro; a única exceção é o programa do apresentador David Letterman, na rede CBS, que conseguiu fazer um acordo independente. A maior parte dos roteiristas, no entanto, ainda não chegou a um consenso com os empregadores sobre o valor que os profissionais devem receber pelo material distribuído na internet e em plataformas digitais. Mesmo de volta ao batente no que parece ser um "fura greve", produtores e apresentadores não deixaram de expressar o apoio aos grevistas. "Estou do lado dos roteiristas", afirmou Jay Leno, do Tonight Show, da NBC.
Os talk shows, como o de Leno e o de Letterman, foram um dos gêneros mais prejudicados com a greve dos roteiristas – justamente por dependerem de roteiro atualizado diariamente. Leno chegou a ajudar a pagar os salários de dezembro de parte da equipe de seu programa, e alega que só voltou ao ar para evitar que os funcionários sejam demitidos. "Tivemos que voltar, pois temos 19 pessoas prejudicando o trabalho de 160", resume.
Com a falta de opções de convidados estrelados – grande parte dos atores de cinema e TV se recusa a furar a greve –, a volta dos programas de talk show está se provando, no mínimo, criativa. Esta semana, Jay Leno e o também apresentador Jimmy Kimmel, da ABC, combinaram de fazer uma troca de convidados: um irá aparecer no programa do outro, na quinta-feira (10/1).
O show tem que continuar
Desde o início da paralisação, as redes de TV vêm perdendo lucros publicitários. Como os programas estão sendo reprisados, a audiência vem caindo. O Tonight Show, por exemplo, que rende cerca de US$ 50 milhões por ano em lucros, registrou queda de 40% na audiência. Outros apresentadores de talk shows, entre eles Conan O’Brien, da NBC; Jon Stewart e Stephen Colbert, do Comedy Central; e Craig Ferguson, da CBS, também voltaram ao ar, mesmo sem os roteiristas.
Disputa
David Letterman – que deixou a barba crescer em solidariedade aos grevistas – foi o único a voltar ao ar com um acordo independente feito entre sua produtora, a Worldwide Pants, e o sindicato Writers Guild of America, e terá seus roteiros escritos por sua própria equipe. Com isso, ele ainda tem a vantagem de conseguir convencer convidados de peso a comparecer ao programa. Na semana passada, o ator Robin Williams foi um dos presentes em Letterman, enquanto Leno contou com o presidenciável republicano Mike Huckabee. A disputa entre Letterman e Leno é antiga e o primeiro costuma amargar o segundo lugar na audiência desde 1995. A greve e o acordo exclusivo para não furá-la, no entanto, parecem tê-lo beneficiado.
Muitos dos apresentadores fazem parte do Writers Guild of America e, segundo as regras do sindicato, não podem escrever seus próprios roteiros. Aqueles que o fizerem correm o risco de ser expulsos do sindicato. Leno começou seu programa da semana passada afirmando que fora ele que escrevera o texto, que havia sido, inclusive, aprovado por sua esposa.
Globo de Ouro pode sofrer boicote de atores
Se um acordo semelhante ao de Letterman não for feito com o sindicato, a premiação do Globo de Ouro, no dia 13/1, pode virar o mico do ano. O Screen Actors Guild, sindicato dos atores americanos, está pedindo aos indicados que não compareçam à cerimônia, a segunda mais importante de Hollywood depois do Oscar. "Após amplas discussões com atores indicados aos Globos de Ouro e seus agentes nas últimas semanas, parece haver um acordo unânime de que estes atores não irão furar a greve do sindicato dos roteiristas", declarou o presidente do Screen Actors Guild, Alan Rosenberg.
Segundo o jornal Daily Mirror, a atriz britânica Keira Knightley – cuja mãe é roteirista – foi a primeira indicada a confirmar ausência na cerimônia. Mesmo com a ameaça de não contar com celebridades de peso como Julia Roberts e Johnny Depp, a NBC confirmou que irá transmitir a 65º edição do prêmio. Informações de Matea Gold e Richard Verrier [Los Angeles Times, 3/1/08], Bill Carter [The New York Times, 6/1/08] e Bob Tourtellotte [Reuters, 4/1/08].

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Tom Cruise assina acordo com sindicato dos roteiristas nos EUA
JB Online 07/01/2008
Agência JB
LOS ANGELES - Apesar da greve dos roteiristas de Hollywood, Tom Cruise conseguiu assinar um acordo com o sindicato para que voltem a trabalhar para o estúdio United Artists, co-dirigido pelo ator.
Os detalhes do acordo não foram revelados, mas acredita-se que devem ser semelhantes ao feito com a produtora de David Letterman, que voltou a ter seus programas exibidos ao vivo na última semana.
O apresentador concordou em pagar aos roteiristas um extra pela transmissão dos episódios na internet e por downloads pagos, algumas das principais reivindicações do sindicato dos roteiristas.
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HOLLYWOOD
Greve dos roteiristas ameaça cerimônia do Oscar
Observatório da Imprensa
em 19/12/2007

A briga entre roteiristas e estúdios de TV e cinema está prestes a prejudicar as duas maiores premiações da glamourosa indústria de Hollywood. O sindicato Writers Guild of America, que representa os roteiristas insatisfeitos, proibiu os profissionais de abrir uma brecha na greve para escrever para as cerimônias do Globo de Ouro e do Oscar.
Os dois eventos ocorrem em janeiro e fevereiro, respectivamente. A paralisação dos roteiristas teve início em novembro. Eles reivindicam participação nos lucros pelos programas exibidos em mídias digitais. A decisão do sindicato elevou ainda mais o tom da discussão - uma tentativa de diálogo no início de dezembro já havia esquentado o debate e piorado ainda mais a disputa.
Como o sindicato dos atores apóia a greve dos roteiristas, não se sabe quantas estrelas hollywoodianas aceitarão posar de apresentadores nas duas cerimônias. O comediante John Stewart - ele próprio membro do sindicato dos roteiristas - foi anunciado como o apresentador principal do Oscar de 2008. Até agora, Stewart, que protagoniza o programa The Daily Show no canal Comedy Central, não furou a paralisação. Nas últimas sete semanas, a emissora tem exibido reprises do programa.
Sem acordo
Diversos indicados ao Globo de Ouro - anunciados na semana passada - afirmaram que esperam participar da cerimônia, mas temem não poder fazê-lo se até lá o impasse continuar sem solução. Na segunda-feira (17/12), o sindicato dos roteiristas divulgou uma carta rejeitando o pedido da Associação de Imprensa Estrangeira, responsável pela premiação, para uma brecha na paralisação. Segundo o sindicato, abrir esta exceção não ajudaria na luta contra os estúdios pela negociação de um novo contrato.
Em carta separada à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, o sindicato não permitiu o uso de clipes de filmes e programas antigos que seriam mostrados durante a cerimônia. A Academia havia feito seu pedido anual, padrão, para o uso deste tipo de material.
A greve dos roteiristas levou à interrupção da produção de diversas séries de TV americanas e ao adiamento da produção de longas. Com as filmagens paradas, outros profissionais da indústria temem perder seus empregos. As emissoras têm exibido reprises dos seriados e programas de entrevistas, mas a audiência, como era de se esperar, vem caindo - o que põe em risco também a receita publicitária. Informações de Lynn Elber [AP, 18/12/07].

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EUA 2008
Cobertura política cresce com greve dos roteiristas
Observatório da Imprensa
em 18/12/2007

Se a greve dos roteiristas de Hollywood se estender até 2008, limitando a programação de seriados e talk shows, as emissoras de televisão dos EUA podem ter na cobertura política um trunfo para o horário nobre. A paralisação pode trazer de volta às redes de TV abertas o tipo de cobertura de campanha há muito restrita à TV a cabo americana. Entre as grandes emissoras, a NBC já anunciou que irá dedicar pelo menos uma hora no horário nobre para a cobertura da chamada "Super Tuesday" em 5/12, dia em que ocorrem 20 eleições primárias no país – para determinar os candidatos democrata e republicano à disputa pela Casa Branca.
Ainda que a programação – cobertura política incluída – já tivesse sido estipulada antes do início da greve dos roteiristas, em 5/11, as redes não descartam a possibilidade de aumentar o tempo de transmissão de notícias na "Super Tuesday" e nas primárias de Iowa e New Hampshire, em janeiro.
A NBC tem como vantagem na cobertura o MSNBC, canal de notícias a cabo que compete com os grandes CNN e Fox News Channel. Portanto, a área responsável pela cobertura política da emissora estará a mil por hora. Enquanto MSNBC, Fox News e CNN planejam uma cobertura especial – e constante – para as primárias, NBC, ABC e CBS terão entradas com informações sobre Iowa e New Hampshire. "Se acharmos que é uma notícia importante, colocaremos entradas ao vivo", diz Steve Capus, presidente da NBC News. "Mas ainda é cedo para dizer se isto será necessário", ressalta. Informações do Hollywood Reporter [11/12/07].
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TV NOS EUA
Debate democrata cancelado por causa de greve
Observatório da Imprensa
em 4/12/2007
O Comitê Nacional Democrata dos EUA anunciou, na semana passada, o cancelamento do debate entre os candidatos do partido à presidência, que seria exibido em 10/12 por estações afiliadas à rede de televisão CBS. O motivo alegado foi a greve dos roteiristas e de outros funcionários da emissora ligados ao sindicato Writers Guild of America. Desde o início de novembro, são realizados protestos em frente aos estúdios da CBS. Como nem os funcionários queriam furar a greve, nem os candidatos estavam dispostos a cruzar a linha dos protestos, o partido achou prudente cancelar o debate.
Karen Finney, diretora de comunicações do Comitê Democrata, declarou que não há planos para reagendar o debate, que seria realizado em Los Angeles. Em nota, a CBS lamentou o cancelamento. Os roteiristas da emissora trabalhavam há mais de dois anos com o contrato expirado e, na semana passada, votaram pela greve.
Acordo
Já a rival ABC conseguiu entrar em acordo com seus funcionários. Sob os termos da negociação, 250 empregados da rede em Nova York e Washington – incluindo roteiristas, editores, assistentes de produção e outros – terão aumento anual de 3,5% . Os funcionários trabalhavam com o contrato expirado desde janeiro de 2005. O novo contrato vale até 2010.
Paralisação dos roteiristas completa um mês
A paralisação dos roteiristas de Hollywood, também representados pelo Writers Guild of America, completa seu primeiro mês. Roteiristas de programas de TV e filmes deram início à greve no dia 5/11. Eles cobram uma maior participação nos lucros com programas e filmes baixados na internet.
Programas noturnos de entrevistas e seriados de TV foram os primeiros prejudicados com a medida. As produções foram interrompidas e as emissoras passaram a exibir reprises. A indústria cinematográfica também começou a sentir as conseqüências da greve. O primeiro longa a anunciar que adiaria a filmagem foi a adaptação do best seller Anjos e Demônios, de Dan Brown. Informações de Bill Carter [New York Times, 29/11/07] e Reuters [29/11/07].

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EUA
Greve de roteiristas ganha força na internet

Observatório da Imprensa
em 28/11/2007


A paralisação dos roteiristas de Hollywood por participação nos lucros dos programas exibidos na internet ganhou força, ironicamente, na própria rede. O sindicato Writers Guild of America entrou em greve no dia 5/11, pela primeira vez em 20 anos. Os estúdios de cinema, produtoras e redes de TV, representados pela Alliance of Motion Picture e Television Producers, alegam que ainda é muito cedo para determinar qual modelo de negócios terá sucesso na rede. Eles querem flexibilidade para experimentar, sem ter de estar presos a fórmulas estabelecidas de pagamento.

Piquete virtual

Na quarta semana de greve, os roteiristas decidiram usar ferramentas como blogs, vídeos e outros métodos de divulgação na internet para chamar mais atenção à causa. Unidades do sindicato de roteiristas de diversas regiões dos EUA passaram a divulgar releases e informações adicionais em seus sítios. Alguns grevistas começaram a usar como canal de comunicação o sítio de relacionamento MySpace, que ironicamente pertence ao conglomerado de mídia News Corporation, afetado pela greve. "Não deve ser nada divertido para Rupert Murdoch [dono da News Corp] me ver fazendo isto em seu ‘quintal’", escreveu Kristen Stavola, criadora do sítio Hollywood Interrupted, em uma paródia com o filme Garota Interrompida.

Um dos vídeos mais populares - que já foi visto mais de 550 mil vezes no YouTube - é o The Office is Closed ("O Escritório está Fechado", tradução livre), gravado durante os protestos pelo roteirista Peter Rader, da série The Office. O vídeo mostra o produtor e roteirista Greg Daniels criticando redes de TV que alegam estar usando reprises do seriado apenas por motivos "promocionais". "Chegamos à conclusão que tínhamos a oportunidade de usar a internet contra as empresas que estão tentando dominar a rede", diz Rader.

Sem roteiro, sem fala

Outro exemplo de mobilização é a campanha Speechless, que apresenta vídeos, com a participação de atores famosos, para ilustrar a falta que os roteiristas fazem. "A idéia é atrair a atenção de todos para a greve", afirma George Hickenlooper, um dos criadores da campanha.

Nikki Finke, colunista do LA Weekly, foi a primeira a exibir tais vídeos em seu sítio, Deadline Hollywood Daily. De certo modo, a greve foi benéfica para Nikki, que viu o tráfego aumentar após os clipes. Antes da paralisação, ela acumulava 350 mil page views por dia. Desde o começo dos protestos, sua audiência subiu para quase um milhão diariamente. A colunista já publicou mais de 100 posts sobre o tema. Nikki estima receber dois mil e-mails por dia. "Está sendo difícil, mas satisfatório, pois eu amo notícias. Para mim, um furo é melhor que sexo", compara. Informações de Gary Gentile [AP, 26/11/07] e de Brian Stelter [New York Times, 26/11/07].

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