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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Lula receberá Notável Premio Internacional de IPS



DESARROLLO: Lula recibirá Premio al Logro Internacional de IPS

Por Thalif Deen

Artigo reproduzido por Jacob (J.) Lumier

NACIONES UNIDAS, 16 sep (IPS) - El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, recibirá el Premio al Logro Internacional 2008 de la agencia de noticias Inter Press Service (IPS) por su lucha en favor del comercio justo y la equidad económica para el mundo en desarrollo.

La decisión de galardonar al presidente brasileño fue tomada por la Junta de Directores de IPS, presidida por Federico Mayor Zaragoza, ex director general de la Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (Unesco).

La entrega del premio se realizará en la sede neoyorquina de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) el lunes 22 de este mes, en vísperas del segmento de alto nivel de la 63 sesión de la Asamblea General del foro mundial, para la que se prevé la asistencia de más de 150 líderes mundiales.

El director general de IPS, Mario Lubetkin, atribuyó varios motivos para la decisión.

"Al presidente Lula se le reconoce el logro de que millones de brasileños hayan escapado de la pobreza", dijo Lubetkin.

"También lo honramos por haber encabezado una campaña internacional contra la pobreza y el hambre, que ayudó a movilizar el apoyo de otros líderes mundiales y de organizaciones internacionales", agregó.

El presidente brasileño fue elegido en octubre de 2002 con unos 53 millones de votos, y reelegido cuatro años después con 58 millones.

Lubetkin dijo que el presidente brasileño articuló las necesidades, deseos y visiones de los países del Sur global, y que llamó la atención sobre el comercio justo, el multilateralismo, la globalización y, más recientemente, sobre las crisis alimentaria y energética.

"Como veterana agencia de noticias del mundo en desarrollo, nos honra premiar al presidente Lula", agregó Lubetkin.

El Premio al Logro Internacional de IPS fue creado en 1985 para homenajear a periodistas y líderes mundiales por su contribución con la paz, los derechos humanos, el empoderamiento de género, la gobernanza y la equidad social y económica.

Entre los anteriores galardonados con este premio figuran la ex primera dama de Sudáfrica Graça Machel, la ex primera dama de Francia Danielle Mitterrand, los ex secretarios generales de la ONU Boutros Boutros-Ghali y Kofi Annan, el ex presidente de Finlandia Martti Ahtisaari y el Llamado Mundial de Acción contra la Pobreza (GCAP). (FIN/2008)

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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Leiturasociologica’s Weblog





Leiturasociologica’s Weblog

A Dialética Sociológica, o Relativismo Científico e O Ceticismo de Sartre: Aspectos Críticos de um debate atual do século XX.

Este artigo investiga a dialética sociológica no âmbito da cultura científica do século XX tendo em conta por um lado a reflexão sobre as conseqüências metodológicas dos avanços em microfísica e por outro lado a reação da filosofia sartreana da história, como obstáculo.


ALGUNS DESTAQUES

A incoerência de SARTRE para com GURVITCH situando a este junto dos positivistas lógicos em tolerância é desconsiderar o alcance realista da dialética no sentido ontológico do termo, ligada à sociologia diferencial dos agrupamentos sociais particulares e à microssociologia.

Para SARTRE, a dialética sociológica não se enquadraria na suposta racionalidade do processo histórico, muito menos a descoberta dos níveis múltiplos de realidade social, as hierarquias múltiplas e a constatação gurvitcheana de que as hierarquias específicas dos agrupamentos particulares restam não absorvidas e conflitantes com as hierarquias das classes sociais .

Ora, além de “esquecer” que um pensamento não se apreende no vazio, fora das probabilidades, tal posicionamento depreciativo do nível empírico do conhecimento revela o preconceito filosófico do SARTRE representativo dos intelectuais acorrentados à vertente hegeliano-marxista da dialética.

À exceção de Ernst Bloch, essa vertente se fixa previamente a qualquer consideração do “novo espírito científico” posto em obra na microfísica, na teoria quântica e na mecânica ondulatória já antes dos anos de 1930 e, como vertente preconceituosa corresponde à postura justamente apreciada por Gaston BACHELAR como “pensamento fechado”, obstáculo ao que este pensador chama “revolução relativista”.

Leia mais:

Leiturasociológica's Weblog


quarta-feira, 11 de junho de 2008

CIÊNCIA POLÍTICA E FILOSOFIA DA HISTÓRIA ON-LINE - TOCQUEVILLE

POR INCRIVEL QUE PAREÇA OS EDITORES FRANCESES ESTÃO SUCUMBINDO AO APELO DOS UTILIZADORES DA INTERNET E ESTÃO PERMITINDO EDIÇÕES ON-LINE DE SEUS SUCESSOS EDITORIAIS RECENTES.

O website Classiques des Sciences Sociales acaba de publicar on-line uma edição eletrônica autorizada realizada à partir dos escritos d’Alexis de Tocqueville, NOTES SUR LE CORAN ET AUTRES TEXTES SUR LES RELIGIONS.
Présentation et notes de Jean-Louis Benoît. Paris: Les Éditions Bayard, 2007, 175 pp.

domingo, 11 de maio de 2008

LITERATURA, SOCIOLOGIA E POLÍTICA: sobre a imagem da Odisséia.

Dentre os relatos épicos da antiguidade clássica admite-se na leitura da Odisséia um interesse diferenciado mais positivo do que a Ilíada. Se esta retrata a ambiência de conquista, a epopéia de Odisseo acentua a aspiração aos valores.

O caráter humano é afirmado constantemente na medida em que, seguindo as orientações de Atenéa e das divindades que o protegem da ira de Poseidon – quem não permitia a libertação de Odisseo da Ilha de Calipso por ter o herói vencido o gigante Polifemo – o herói toma providências, exerce astúcias para prover sua condição humana diante dos obstáculos.

O relato deixa ver que, direcionada para vencer os obstáculos, a liberdade humana é exercida no esforço de realização do herói que aspira reingressar em seus domínios e reencontrar a mulher que lá o aguarda – neste primeiro plano a Odisséia é composta da travessia de Odisseo em meio às tormentas para alcançar e reassumir Ítaca e ali reencontrar Penélope.

Dentre os outros aspectos compostos juntamente com a compreensão do caráter humano, a imagem da Odisséia como fonte para os modelos de civilização nas sociedades históricas perpetuou-se devido à figuração da idéia de sociedade política afirmada na convicção que outorgava o maior valor à descendência dos heróis e tornava seu domínio inacessível a terceiros.

Todo o relato é penetrado por essa convicção acentuada desde as seqüências iniciais com a atuação de Telêmaco, filho de Odisseo, que contestava o costume tribal desagregador permitindo aos sobreviventes apossarem-se dos domínios deixados pelo herói desaparecido e desposarem sua mulher.

A Odisséia dá forma e figura à idéia de que a unidade política conseguida em A Ilíada em torno dos heróis devia ser consolidada mediante a perpetuação da presença desses heróis e para isso o relato afirma o respeito à descendência e domínios dos heróis, põe em questão e condena os costumes alheios ou contrários a essa consciência moral pela primeira vez manifestada em obra de texto na história. Aliás, a comunidade moral é afirmada em perspectiva no papel de Telêmaco buscando apoio junto aos outros heróis retornados.

Seja como for é inegável que o valor da literatura para a civilização tem na Odisséia sua referência máxima, inclusive a idéia de que o texto da escrita inteligente tem serventia indispensável para esclarecer sobre procedimentos e regras da vida em sociedade e crítica dos costumes e crenças, confirmando enfim que, nas sociedades históricas, o conhecimento não é separável da mitologia.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O estudo sociológico das fossilizações sociais.


Como se sabe, na Phyisiologie Sociale de Saint-Simon há um trecho definindo as fossilizações sociais como obstáculos ao progresso social e bloqueios à percepção da própria mudança, que a atitude afinada com as mudanças deve conhecer não tanto como o seu contrário, mas como seu desafio.

No dizer de Saint-Simon, trata-se daqueles entraves observados em um estado coletivo de melancolia e depauperação que conduz ao desaparecimento da vida social à medida que (a) - inibe de resolver-se por um regime ativo, e (b) - corresponde a uma atitude de repugnância à mudança consentindo em grandes sacrifícios para preservar as coisas tais quais são e as fixar em maneira invariável no ponto onde elas se encontram.

Saint-Simon se refere a tal estado como uma corrente de opinião estacionária, melhor, estagnada, de natureza puramente passiva, e nostálgica de uma forma de governo equiparável àquelas que duraram tantos séculos sem experimentar nenhum estremecimento geral, como houvera durado o “Ancien Régime”.

Segundo Saint-Simon tal estado de fossilização sendo referido ao “Ancien Régime” se mostra sempre pronto a reter e fixar o que é sobrevindo para perpetuar o que existe, impelindo à vigília de um esforço inútil os que têm afinidade com as mudanças [1].

Desta forma, nas fossilizações sociais somam-se as cristalizações dos modelos e a dogmatização das normas sociais que os reforçam. Daí a importância da desdogmatização do saber para o sociólogo em sua busca das variações na realidade social.


Vê-se igualmente que a compreensão do progresso social como horizonte da sociologia inscreve-se na reflexão de Saint-Simon como pesquisa dos obstáculos à modernização, de tal sorte que à luz desse exemplo parece que a atuação do sociólogo se reduz a intervir para acelerar o progresso das mudanças.

Entretanto, o iniciante em nossa disciplina estaria equivocado ao sugestionar-se que a intervenção do sociólogo se reduz a acelerar o progresso das mudanças.


Essa inferência seria justa se o obstáculo assinalado nas fossilizações sociais fosse predominantemente de ordem da morfologia social ao invés de revelar-se suscitante da trama do organizado e do espontâneo. Quer dizer: seria menos destoante e mais conforme ao enfoque saint-simoniano da teoria sociológica a sugestão de que o sociólogo busca preferencialmente não acelerar as mudanças de que o próprio sistema se encarrega, mas sim ultrapassar o conformismo, haja vista em Saint-Simon a repugnância à mudança como a atitude que melhor corresponde às fossilizações sociais.


Na verdade, indo ao fundo da modernização, o que Saint-Simon investiga nas fossilizações sociais e que posteriormente veio a ser designado por mumificação do discursivo são os obstáculos à permanência da vida social em mudança permanente e, neste fluxo, à própria percepção. Daí a constatação do estado de fossilização social como referido ao “Ancien Régime” se mostrando sempre pronto a reter e fixar o que é sobrevindo para perpetuar o que existe.

Sendo sociólogo, Saint-Simon visou esclarecer nesse seu escrito publicado uma situação penetrada por tal estado coletivo estacionário, estagnado, passivo, a colocar em risco o fluxo da sociabilidade e por isso apreendido como obstáculo.

Neste sentido, só é legitimo falar de intervenção do sociólogo unicamente em consideração de sua atividade intelectual docente, seja publicista, seja orientador ou aconselhador posto que, com sua mirada treinada para não sublimar os obstáculos à percepção da realidade social em mudança permanente no interior das estruturas, o sociólogo intervém para esclarecer e desanuviar as situações complexas em meio à trama e tensão do plano organizado e do espontaneismo social, inclusive em escala microssocial e no âmbito dos agrupamentos sociais particulares.


Quer dizer, com autonomia em face da atitude ou da mentalidade que lhe possa corresponder em certo quadro social, as fossilizações sociais são detectadas na realidade social como obstáculos por elas mesmas, e assim são verificadas pelo sociólogo em cujas análises são relacionadas sem embargo às atitudes que lhe correspondem e, se for o caso, inclusive à simbolização de certas condutas significativas para a modernização como o conformismo, por exemplo, que pode assumir configurações muito variáveis[2].

***

Na busca dessas configurações do conformismo como correspondendo às fossilizações sociais, tendo em conta que as mudanças sociais se verificam em profundidade no interior das estruturas, o sociólogo põe em relevo contra a cultura de massa o empirismo pluralista efetivo que se descobre no estudo das manifestações da sociabilidade, fazendo ver ademais que, malgrado os adeptos do psicodrama, os elementos microssociais não têm absolutamente nada a ver com o individualismo, o atomismo e o formalismo sociais, mas criam inclusive referências objetivas ao mundo dos valores, como se constata no estudo microssociológico dos Nós [3] .


Dessa forma, observado, por exemplo, em um sistema de condutas previamente reguladas compreendendo uma ou várias organizações complexas integradas em sociedades mais ou menos penetradas pelo mundo da comunicação social, o conformismo pode ser verificado em uma ambiência microssocial e aparecer como conduta regular afirmando a aceitação em face da recorrência de um ato coletivo tornado instituído como obrigatório.


Quer dizer, como diria Saint-Simon a aceitação estacionária neste caso integra um modelo cristalizado em que para impor como obrigatório o ato coletivo inclui em conseqüência certa ordem ou disposição conformista visando dirigir ou bloquear a manifestação efervescente de um Nós instituinte como forma de sociabilidade.


Ora, muito além do psicologismo e da mera acomodação às condutas dominantes preestabelecidas, e visando compreender essa configuração do conformismo resistindo ao apelo do componente de liberdade em um ato originalmente de escolha multifária deve-se pôr em relevo exatamente no instituído a configuração particular da norma social que reforça e garante a recorrência de tal ato.


Isto porque se constata logo de início que a extensão da cultura de massa com suas imagens do chefe ou do lider alcança somente o estado mental da norma social de reforço, imprimindo a motivação somente psicológica para o conformismo na situação de imposição do patamar organizado sobre um ato em realidade instituinte mas tornado instituído como obrigatório.

Motivação esta resultante do receio de exclusão suscitado pela pressão do maior número, por efeito da qual, sendo compelido ao local do ato, os sujeitos individuais aceitam seu comparecimento não por uma razão nem por motivação de um simbolismo, mas em face de uma censura creditando de antemão que “todo o mundo vai” (comparecer).

A situação que se tem em vista aqui é o regime do voto obrigatório nas eleições praticadas em alguns Estados de Direito democrático, já que em tais regimes é constatado precisamente que a extensão da cultura de massa explica tão só as manifestações das correntes dos sujeitos individuais em direção ao comparecimento massivo nos locais de votação, uma expectativa do sistema, mas não esclarece nem de longe a vigência de tal ato instituinte tornado obrigatório e recorrente.

Ora, acontece que por definição a norma social de reforço ultrapassa o elemento psicossociológico de pressão da massa sobre os indivíduos (receio de exclusão). O estatuto normativo significa a afirmação de valores coletivos não reconhecidos (por ultrapassá-lo) no elemento constringente do grande número, ainda que a pressão seja potencializada pela Mídia.

Quer dizer é preciso que a norma social de reforço configure os valores previamente aceites cuja afirmação se observa justamente na vigência e na eficácia do regime de um ato instituinte tornado obrigatório em sua não-transformação para ato voluntário ou facultativo como seria de esperar no âmbito instituinte.

Dado que a legislação é incapaz de forçar alguém a ser livre, e considerando o voto político como devendo ser livre de coação, temos em definitivo que o valor obedecido no voto obrigatório não é a lei instituída. Há, pois, uma moralidade social particular no conformismo como conduta regular afirmando a aceitação em face desse ato, moralidade social esta cuja configuração em atitude deve ser explicitada.

Neste caso há que distinguir por um lado o sistema dos aparelhos organizados/administrativos e, por outro lado, o mencionado conformismo em face da imposição burocrática levando à aceitação e mais do que isso à prática do voto obrigatório como se fosse uma paradoxal preferência coletiva.

Quer dizer, o conformismo de que falamos pode ser tudo menos mera decorrência da implantação de um sistema específico dos aparelhos organizados/administrativos, dotados com instância para controlar a prática do voto obrigatório: este sistema não produz o conformismo, mas o pressupõe.

Aliás, trata-se de um sistema bem diferenciado pelo estabelecimento da instância controladora como assimilando nela mesma em modo surpreendente certas atribuições próprias à Divisão de Poderes [4], sendo justamente esta especificidade que demanda e justifica uma análise sociológica exclusiva desse regime do voto obrigatório tomado em “separata” dos demais componentes do sistema político democrático.

Com efeito, no regime do voto obrigatório se trata de um conformismo “à outrance”, esdrúxulo, bem distinto daquele conformismo já visto nos comportamentos habituais ou apáticos, relegados à inércia diante do statu quo. No conformismo para com a imposição do voto obrigatório a passividade não equivale à abstenção, não é ausência. Neste caso a indiferença típica de todo o conformismo para com a ordem imposta exige um ato, exige o comparecimento do indivíduo ao ato de votar.

Desta forma, o conformismo para com o voto obrigatório revela-se obediência social, obediência no sentido de atendimento à ordem eleitoral como exigência difusa não de uma vontade, mas sim a exigência em si mesma como valor superior, portanto compreendendo uma atitude moral do tipo juramento [5]. Tal é a configuração da norma social de reforço que garante a vigência e a eficácia do regime do voto obrigatório, sua não-transformação para o voto voluntário.

Tal é o conformismo por obediência social que constitui a cidadania tutelada, dependente. Ou seja, no ato de votar, lembrando os grupos estamentais característicos das sociedades feudais prolongando-se em certas ambiências tradicionais, o eleitor faz por sua vez um voto de obediência no sentido dos votos de fé, só que, num espantoso círculo vicioso, jura obedecer ao próprio instituto do voto obrigatório que está a praticar.

Daí ser inevitável a inferência conclusiva de que, na configuração da norma social de reforço ao voto obrigatório como elemento da atitude do conformismo por obediência social afirma-se uma modalidade da nostalgia estacionária, estagnada, passiva, já constatada por Saint-Simon como referida ao regime monárquico, o Ancien Régime [6].

***

Etiquetas:

Comunicação, crítica, história, ideologia, relações humanas, sociologia, século vinte.


[1] Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon (París, 17 de octubre de 1760 - id., 19 de mayo de 1825). Filósofo y teórico social francés. Ver “La Physiologie Sociale, págs. 53/55

http://classiques.uqac.ca/classiques/saint_simon_Claude_henri/physiologie_sociale/physiologie_sociale.html

[2] A análise da decadência do Estado e do Contrato na passagem para o século XX é caracterizada por Georges Lukacs como “fossilização do liberalismo” ou, mais precisamente, fossilização da ideologia liberal, em referência direta a Saint-Simon, mas contrastando com a análise deste último para o século XIX, onde o quadro social que possibilita a percepção da modernização é a atitude liberal tomada como afinada às mudanças sociais. Ver: ‘Le Roman Historique’, tradução Robert Sailley, prefácio C-E. Magny, Paris, Payot, 1972, 407 pp. [1ªedição em Alemão: Berlim, Aufbau, 1956], capítulos III e IV, pp.190-401.

[3] Ver capítulo anterior neste livro.

[4] As relações com os eleitores é prerrogativa dos partidos políticos cujo foro é o Congresso Nacional.

[5] Em nosso artigo “A Ficção nas Eleições” inserido neste livro já foi remarcado que a noção de obediência social como levando ao juramento tem procedência na sociologia de Jean Paul Sartre.

[6] Tanto mais notado no caso da cultura brasileira da dependência, onde o regime monárquico e neocolonial criou e consolidou a autoridade burocrática, reconhecida no modelo cristalizado designado por “Estado Cartorial” prolongando-se na República e dominante no autoritarismo.

sábado, 5 de abril de 2008

Cultura e consciência coletiva



Com referência à análise da racionalização e em especial no tocante à Renascença, a utilização aplicada do
termo “cultura” em Max Weber se diferencia em certo aspecto da religião já que “afirma a noção de bens de
civilização sem alcance religioso imediato”.
***
Ao comunicar sobre a sociologia o sociólogo faz algo mais do que um paper de universidade। Sua aproximação da matéria inclui a mais do caráter desinteressado do conhecimento científico uma mirada vinculada à prática profissional।

Desta sorte produz textos sociológicos, elaborações sobre a realidade social que aportam não só os resultados da sociologia que faz, mas igualmente revelam os procedimentos em vias de fazer.

Há uma indispensabilidade em produzir texto sociológico para a prática do sociólogo, na qual os resultados levam aos procedimentos e vice-versa ultrapassando a sugestão epistemológica de estabelecer um hiato entre contexto da descoberta e contexto da justificação.

Esta obra mostra que o estudo histórico da sociologia revelase uma pesquisa de sociologia dos quadros operativos da teoria sociológica,especialmente em relação a Max Weber e a Émile Durkheim.
Partindo deste último, elaboramos sobre o programa de uma sociologia da vida moral
desde o ponto de vista diferencial, levando em conta a microssociologia
e a autonomia relativa dos grupos em relação às classes e às sociedades globais.

Acentuamos a revalorização pedagógica da colocação do conhecimento em perspectiva sociológica, orientação esta atualmente solicitada para contrarrestar a filosofia abstrata das ciências cognitivas: para o sociólogo não há comunicação sem o psiquismo coletivo.

Entendendo que a linguagem humana exige uma união prévia, seguimos o realismo de Georges Gurvitch em relação ao interesse, alcance e especificidade da teoria sociológica distinguindo sem separar os elementos históricos e os elementos pouco ou não-históricos da realidade social. Desta sorte, aprofundamos a sociologia diferencial e a dialética acentuando o pluralismo social efetivo. Entende-se, portanto, que o subtítulo deste ensaio como Leituras Saint-Simonianas visa acentuar que a sociologia é ciência dos determinismos sociais e que suas raízes estão plantadas na sociedade industrial.

Quanto ao nosso estilo, contrariando as sugestões editoriais de que os escritos com disciplina científica devem ser impessoais, utilizamos a primeira pessoa do plural para afirmar a vontade vontade de valor ou de verdade

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Cultura e consciência coletiva: Leituras Saint-Simonianas de Teoria Sociológica
por
Jacob (J।) Lumier

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O voto obrigatório, as cidades e o eleitor - Parte Primeira.



No âmbito de um regime eleitoral complexo e diferenciado como o voto obrigatório
o Eleitor não se reduz a uma simples função de sistema jurídico-político com figura no contrato de representação.

A ocorrência do regime impositivo torna inócua a abordagem mais funcionalista de explicação do sistema representacional. Por contra exige o estudo descritivo do tipo sociológico do eleitorado como matriz, estudo este imprescindível para compreender a capacidade de produzir tendência política pública como escala de valores, critérios e estilo nas relações com as instâncias constituídas.

A obrigatoriedade do voto nos sistemas institucionais democráticos, vista no paradoxo que a constitui, permanece uma obrigatoriedade que por sua vez é negação em primeiro grau, revelando-se uma imposição que nega em fato o reconhecimento da capacidade política do eleitor, o qual em círculo vicioso descaracteriza qualquer tendência política pública pela ampla disparidade das suas escolhas.

Na mirada da sociologia em profundidade a figura do Eleitor moderno surge com as Cidades livres (Século XIV) levando à Renascença. Nele tem expressão a liberdade política ultrapassando a estrutura feudal, ou melhor: o Eleitor é a liberdade política em ato, é o sujeito in-surgente lá onde a obrigação feudal de ceder bens em obediência deixa de valer; é o liberto da obrigação em obediência.

Originariamente o Eleitor não é um papel social ainda que possa constituí-lo quando em associações voluntárias com funções de formação de opinião e defesa dos interesses dos cidadãos perante as instâncias constituídas.

Visto em profundidade o aspecto funcional no estudo sociológico do universo simbólico-social do Eleitor é antes uma decorrência do que pressuposição, já que se trata de uma função que emana do ato eleitoral como a capacidade de produzir tendência política pública, uma função de liberdade, em perspectiva.

A evolução das cidades livres desde o século XIV caracterizou uma verdadeira revolução municipal, que deu nascimento aos governos provisórios. Tais centros da indústria e do comércio são ao mesmo tempo (a) - os centros da inspiração intelectual e da ressurreição do direito romano; (b) - as sedes de onde parte o conhecimento perceptivo do mundo exterior e de onde partirá, finalmente, o movimento da Renascença.

A Federação das cidades liberadas e suas hierarquias de grupos, como as hierarquias dos mestres de ofícios, as das intendências, as das associações de companheiros e aprendizes, as das sociedades comerciais representa um vasto movimento de liberação das “comunas” urbanas com seus conselhos municipais, onde estão representadas as sociedades comerciais e as corporações de ofícios (para SAINT-SIMON, este movimento marca o começo da era industrial, com a superação progressiva dos “ociosos” pelos “produtivos”).

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

VOTO FACULTATIVO NA DEMOCRACIA BRASILEIRA

No regime de voto obrigatório há redução do princípio de soberania à obediência burocrática a respeito da ordem constitucional interpretada, ou obediência a respeito dos dispositivos regulamentados (não estabelecidos no texto da Constituição).

Permanece no esquecimento que a qualidade universal do sufrágio não resulta simplesmente do comparecimento massivo do grande número em razão da autoridade burocrática, sem motivação política real e em detrimento da prática da liberdade política coletiva, cujo exercício em ato é requerido no regime do voto voluntário ou facultativo, o qual, este sim inclui a motivação política imprescindível à obtenção da universalidade do sufrágio.

Como se sabe a Constituição da Democracia brasileira ao dispor sobre a capacidade política das faixas etárias reconhece a liberdade do eleitor. De fato a liberdade do eleitor é estabelecida no Capítulo IV do Título II, lá onde no Artigo 14 lê-se no § 1º que “O alistamento eleitoral e o voto são: I – obrigatórios para os maiores de dezoito anos; II – facultativo pa-ra: a) os analfabetos; b) os maiores de setenta anos; c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.”

A liberdade do eleitor é estabelecida, portanto a partir do momento em que ao fazer dezoito anos o indivíduo-cidadão tornou-se eleitor, cumpriu a obrigação de alistar-se e comparecer ao local de votação, não sendo mais alcançado por este dispositivo do Artigo 14 § 1º da Constituição até os setenta anos.

Não se sabe de onde foi tirada a idéia antidemocrática de que por esse dispositivo os eleitores são sempre constrangidos a votar. O texto constitucional democrático acima é bem claro ao dispor sobre a obrigação única da maioridade para o alistamento eleitoral e o comparecimento ao local de votação, deixando inteiramente livre o eleitor, cuja figura não é objeto de menção alguma.

Ademais, as referências a esta matéria em legislação anterior são igualmente marcadas pela obrigatoriedade do alistamento e em lugar algum o legislador menciona a palavra eleitor que, portanto, mais uma vez, tem reconhecida sua liberdade política.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

ROCK’N’ROLL, POLÍTICA E HISTÓRIA: "tres días de paz y música".



El festival de Woodstock sucedido de 15 a 18 de Agosto de 1969 (em uma fazenda próxima da cidade de Woodstock no Estado de New York) llegó en medio de un conflicto militar en el extranjero y la revolução social no país com a extensão dos direitos civis. The March on Washington for Jobs and Freedom was a large political rally that took place in Washington, D.C. on August 28, 1963. Martin Luther King, Jr. delivered his historic "I Have a Dream" speech advocating racial harmony at the Lincoln Memorial during the march. Approximately 250,000 people took part in the march; it is estimated that 200,000 were African American and 50,000 were white. (The march was organized by a group of civil rights, labor, and religious organizations. Following the march, the Civil Rights Act (1964) and the National Voting Rights Act (1965) were passed).
The Woodstock Music and Art Fair Fue el más grande bash de la contracultura y es un recordatorio de la juventud y el exceso de hedonismo de los años 60. Se trata de una culminación de lo que significó la contracultura : as bandas foram chamadas pela geração que estava questionando a direção da sociedade americana e constituiu o contrapeso mais decisivo para apaziguar a discordia racial en el país. Muchos de los más grandes artistas de los años 60 estaban en el Festival, y es su influencia en la juventud que los pusieron junto a una granja de Bethel, en la lucha contra el mal tiempo, la escasez de alimentos y el saneamiento deficiente . El sitio de Woodstock se convirtió, durante cuatro días, un countercultural mini-nación: as mentes estaban abiertas. Se trata de un festival donde cerca de 500.000 "hippies" se reunieron para celebrar bajo el lema de "tres días de paz y música".
Leia mais na http://en.wikipedia.org

Woodstock in 1969

ESSE TAL DE ROQUE ENROW

terça-feira, 10 de julho de 2007

BUSCADOR ESPECIAL PARA CIÊNCIAS SOCIAIS







Google Custom Search



Pesquise na O.E.I , no CLACSO, no Portal MEC, na Universidade de Quebec, etc. só obras eletrônicas em acesso livre. Autores, Obras e Termos em português, espanhol, francês e até Inglês.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Pesquisando no Google







O VOTO NA DEMOCRACIA BRASILEIRA
- Informe-se no Google Search


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Descubra, conheça e acesse websites, revistas e bibliotecas eletrônicas, institutos e núcleos e centros de pesquisa e todos os demais recursos para as Ciências Sociais no site do INTUTE, apoiado por um grupo de universidades britânicas incluindo a University of Birmingham.

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SOCIOLOGIA E COMUNICAÇÃO SOCIAL
a prática dos Comunicados à Imprensa nas
Associações Profissionais de Sociologia.
O exemplo da American Sociological Association - ASA
Asa Media Advisory /Press Releases

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Les Classiques des Sciences sociales



Une bibliothèque numérique développée
en coopération avec l'Université du Québec

Artigos Saint-simonianos.



LAICIDADE E SOCIOLOGIA: reflexão sobre o Homo Faber por Jacob (J.) Lumier

Ver Comunicação e Democracia: Artigo Saint-Simoniano.



Dialética e microssociologia do conhecimento: referências para uma atuação sociológica.
Por Jacob (J.) Lumier


Ver Comunicação e Democracia: Artigo Saint-Simoniano 2.

Trecho corrigido pelo autor e extraído do ensaio sociológico intitulado “ASPECTOS DA SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO: Reflexão em torno às análises sociológicas de Georges Gurvitch”, referido no website Leituras do Século XX.



LEIA NESTA PÁGINA OS SEGUINTES TEXTOS:

A Sociologia do Conhecimento, as Ciências Cognitivas e

os Profissionais das Ciências Humanas.


EXTRATOS DE

“A SOCIOLOGIA DO ROMANCE À LUZ DA COMUNICAÇÃO SOCIAL”


Sumário dos Artigos

SOCIOLOGIA, LITERATURA E FANTASIA:

O problema das relações com a sociologia do conhecimento

O ROMANCE: INDIVIDUALISMO E REIFICAÇÃO:

Sobre a ética do escritor, a ironia e o problema estético do gênero romanesco

CRISE DO ROMANCE E INDIVIDUALISMO:

A Estandardização como fator da Montage em T.W. Adorno

ESTRUTURAS ECONÔMICAS E GÊNERO ROMANESCO

O TEMA DA AUSÊNCIA E A PRESENÇA DE PROUST

O INDIVIDUALISMO EM PROUST


BIBLIOTECA VIRTUAL DO JL'S BLOGS



sábado, 21 de abril de 2007

BIBLIOTECA VIRTUAL DO JL'S BLOGS

Sociologie no Blog de la Quinzaine Littéraire.

Leia aqui sobre Jean Baudrillard , Georges Bataille, Jean Duvignaud..
Le blog de la Quinzaine /// Sociologie


VEJA ADIANTE O ACERVO DA BIBLIOTECA VIRTUAL DO JL'S BLOGS PARA OS DIREITOS SOCIAIS E O VOLUNTARIADO
(ACEITA-SE A COLABORAÇÃO VOLUNTÁRIA, É OBVIO !!!)


POSTAGENS
Elaboradas por Jacob (J.) Lumier para servir à formação nos Direitos Sociais
E interessando à criação de bibliotecas virtuais em ONGs
Rio de Janeiro,13 de Setembro 2007.
Fonte: Grupo Oficina da Monografia
http://groups.google.com/group/Oficina-da-Monografia?lnk=srg&hl=en


POSTAGENS


Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil. Para ver uma cópia desta licença, visite http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/
ou envie uma carta para Creative Commons, 171 Second Street, Suite 300, San Francisco, California 94105, USA.




POSTAGEM 1:

As Ongs E A Formação Nos Direitos Sociais.

A sugestão de implantar bibliotecas virtuais em ONGs é valida porque cria um suporte mais funcional, completo, visível e acessível para os treinamentos e capacitações e outras atividades formativas e informativas, além é claro de lançar bases para cursos a distância e com isso abrir novas linhas de integração no campo da educação.
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Pelo que parece tem muita gente boa nas ONGs pensando em aprofundar a formação nos Direitos Sociais, seja mediante a criação de bibliotecas em rede na Internet ou bibliotecas propriamente virtuais, seja pela arrecadação de livros para acervos locais como o faz o MST em http://www.mst.org.br/mst/especiais.php?ed=46
Já se admite que o termo biblioteca pode ser aplicado para as acervos de textos e documentos diversos que estão em vias de serem coletados ou arrecadados, à condição de que esses reduzidos acervos alcancem matérias específicas e tenham o objetivo de oferecer suporte às atividades formativas e informativas como a instrução básica, as capacitações, os treinamentos, subscrições, press releases, estudos, colóquios, congressos, conferências, e todas as atividades que demandam pesquisa ou consulta aos materiais produzidos ou não na própria ONG, podendo chegar com o crescimento inclusive aos cursos em linha e à educação a distância.
Em modo geral a sugestão para implantar bibliotecas virtuais é facilitada e não acrescenta despesas. Basta lembrar que as ONGs com domínio na Internet já dispõem de webmaster e já têm disperso em sua Homepage parte do material classificado a ser carregado para uma biblioteca virtual, como Clipping =Arquivos com matérias que citam a ONG e estão veiculadas em jornais, revistas, sites, emissoras de TV e rádio ;
Informe Digital = Arquivo com os Informes Digitais enviados periodicamente pela ONG aos seus subscritores; Links = Seleção de Websites relacionados com o universo do Voluntariado e da ONG considerada.

Podemos tirar da Página da ABAD RIO em http://www2.abed.org.br/biblioteca.asp o modelo de que uma biblioteca virtual compreende uma classificação em cinco seções cada uma com um link próprio dentro do botão biblioteca na página do Website da ONG. O mesmo esquema sendo aplicado para o material virtual carregado em HTML dentro de cada seção. Parece não exigir muita sofisticação tecnológica além da criação de páginas WEB que os webmasters fazem.
Veja no seguinte o sumário das cinco seções de uma biblioteca virtual com base em textos (podendo ser ampliada para incluir outros tipos de suportes eletrônicos como vídeos, DVDs, etc):

Bibliografia
E-books e outros estudos ou publicações eletrônicas que abordem os Direitos Sociais e o voluntariado ou/e interessem à formação nesta área, podendo eventualmente incluir os livros ou volumes em suporte papel como Atas de Congressos, Anuários, Revistas Temáticas, Universitárias ou Científicas.

Clipping
Arquivos referentes à própria ONG com matérias veiculadas em jornais, revistas, sites, emissoras de TV e rádio.

Informe Digital

Arquivo com os Informes Digitais (ou Boletins, Online Newsletters, etc) enviados periodicamente pela ONG aos seus subscritores.

Links
Seleção de Websites relacionados com o universo do Voluntariado e os Direitos Sociais.

Textos
Arquivo de textos eletrônicos diversos de inúmeros autores sobre variados temas de direitos sociais e voluntariado como mensagens, comentários, artigos, relatórios, pareceres, demonstrativos, etc.

Jacob (J.) Lumier

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POSTAGEM 2:

Sobre as bibliotecas virtuais e as ONGs – II

A exigência indispensável para configurar uma biblioteca digital/virtual é a implantação de uma máquina de busca específica na página de acervo do website da ONG para o que o Google Custom Search Engine oferece gratuitamente um serviço free bastante satisfatório.

1) – Acredita-se que a vida digital potencializará a comunicação humana e, por conseqüência, não acarretará o desaparecimento de antigos suportes comunicativos como a sociabilidade. Desse modo, o uso cada vez maior de tecnologias no dia-a-dia tem também ajudado a constituir novas bases para a difusão do conhecimento e da cultura. No Brasil, muitos acervos estão sendo disponibilizados por meio da rede internet, proporcionando maior visibilidade às coleções. MUITAS INSTITUIÇÕES JÁ DISPONIBILIZAM CATÁLOGOS ON-LINE COM ACERVOS ESPECÍFICOS CORRESPONDENDO A ÁREAS ESPECÍFICAS DAS PRÓPRIAS ORGANIZAÇÕES. O advento dos meios tecnológicos, posteriormente à Internet, tem provocado o surgimento de novos tipos de leitores. Em apenas alguns cliques, uma criança ou um adulto acessa inúmeras páginas e conteúdos. Muitas iniciativas importantes têm sido desenvolvidas tanto no sentido de REUNIR quanto de DISPONIBILIZAR conteúdos digitais de acesso público, a exemplo do Programa Prossiga www.prossiga.cnpq.br , que disponibiliza bibliotecas virtuais temáticas, como a “Biblioteca Virtual de Literatura”, a Biblioteca Virtual do Estudante de língua Portuguesa
http://www.bibvirt.futuro.usp.br/ index.html?principal.html&2, etc.

2) – Seja como for, os documentos disponibilizados via Internet constituem uma grande biblioteca digital de conteúdo genérico. O mecanismo mais utilizado pelos usuários da Internet para encontrar documentos de seu interesse são MÁQUINAS DE BUSCA. Mas, em geral, as máquinas de busca não conseguem satisfazer as necessidades do usuário. Um dos motivos é a diversidade de temas e perfis de usuários. UMA TENDÊNCIA PARA DISPONIBILIZAR DADOS NA INTERNET SÃO BIBLIOTECAS DIGITAIS DE CONTEÚDO ESPECÍFICO, QUE POSSIBILITAM MAIOR PRECISÃO NAS PESQUISAS.

3) – COM BASE EM CONTEXTOS (ESPECÍFICOS) RELACIONADOS A ASSUNTOS (ESPECÍFICOS), É POSSÍVEL DESENVOLVER MECANISMOS ESPECIALIZADOS que facilitem ao usuário encontrar e visualizar informações de seu interesse. A recuperação de informação em uma biblioteca digital é feita por meio de um sistema de recuperação de informação (SRI) que busca informações contidas em documentos da biblioteca digital que possam ser úteis para o usuário.

4) – Neste sentido de implantar máquinas de busca específicas no acervo como característica de uma biblioteca digital/virtual lembro que a ferramenta de pesquisa que utilizamos para pôr em obra o Buscador para a sociologia e as ciências sociais (Ver mensagens aqui postadas em Julho/Agosto) atende perfeitamente ao instrumento fundamental indispensável à criação de um recurso como a biblioteca virtual, capaz de REUNIR e de DISPONIBILIZAR conteúdos digitais de acesso público das ONGs.

Leia as seguintes informações sobre o Google Custom Search Engine :
http://www.google.com/coop/cse/


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Your non-profit, government, or educational organization
Leia mais: http://www.google.com/coop/cse/


Para criar um buscador veja o seguinte link:
http://www.google.com/coop/manage/cse/create/1

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POSTAGEM 3:


Plano Do Nosso Blog

Prezados membros do grupo oficina da monografia, passo-lhes aqui uma idéia para a preparação do blog do nosso grupo oficina da monografia. Blog este concebido como um recurso para a formação nos direitos sociais e para a pesquisa sobre voluntariado, contendo um esboço de biblioteca virtual, com acondicionamento próprio do acervo e buscador específico. O plano é bem simples e consiste em dar aproveitamento às ferramentas disponibilizadas gratuitamente pelo google.

De fato, como sabemos (Ver postagens de Agosto/Setembro), para constituir-se como suporte junto às atividades formativas UMA BIBLIOTECA VIRTUAL PRECISA DE UM ACERVO EM SEU ESPAÇO/HOMEPAGE E DE UM BUSCADOR.

O acervo teremos que formar pesquisando, classificando e reproduzindo o material público para armazena-lo em nosso espaço no “Documentos e Planilhas ” Os arquivos subidos ficarão armazenados sob nossa conta nesse espaço/instrumento oferecido pelo Google Docs & Spreadsheets (Ver http://www.google.com/google-d-s/intl/en/tour1.html ) e daí serão publicados com o endereço/URL desse nosso espaço na Internet.

Uma vez criado o nosso Blog (prefiro host no Blogger pela operatividade rápida e elegância Ver http://www.blogger.com/tour_start.g ) bastará inserir/postar o título de cada documento classificado com link para o nosso endereço/URL no Documentos e Planilhas.

Desse modo estará constituído e disponibilizado o acervo virtual, bastando ao usuário teclar no título do documento desejado em nosso Blog para acessa-lo a partir de nosso espaço/endereço/URL

À medida que o acervo cresça, introduziremos o Buscador por nós então criado no Google Custom Search Engine (Ver http://www.google.com/coop/cse/ ), a exemplo do buscador que criei para a sociologia e as ciências sociais
(Ver http://www.google.com/coop/cse?cx=001025875507377962189%3Awi6s2juaf0m&hl=fr ).

É isso. Toda a sugestão será bem vinda. Quem puder informe endereços/URLs de ONGs para eventual contato em vista de divulgar nosso Blog como um serviço útil e necessário.

Saludos Jacob (J.) Lumier

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Lettre d'Alexandrie: Lettre d'information électronique de l'Université Senghor

Agence universitaire de la Francophonie.



Agence universitaire
de la Francophonie
Un réseau mondial de 635 établissements d'enseignement supérieur et de recherche

Francophonie / Université Senghor d'Alexandrie, en Égypte.
Une année sous le signe de Senghor

A Postura do Sociólogo

A Postura do Sociólogo

A postura do sociólogo do conhecimento nada tem a ver com “as ilusões introspectivas” com que os epistemólogos projetam para a sociologia o “problema epistemológico” em psicologia. Embora seja reconhecido que os quadros conceituais operativos da sociologia do conhecimento são passíveis de identificação aos quadros sociais, certos autores parecem avaliar isso negativamente e insistem em desconsiderar que essa identificação em perspectiva procede de uma dimensão mesma do conhecimento e não de alguma pretensa “estruturação ativa por parte do sociólogo”. Aliás, é daí que, contrariando-os, se fala de coeficiente existencial do conhecimento[1] já que a colocação do conhecimento em perspectiva sociológica antes de representar uma dificuldade, favorece as ciências como atividade prática e privilegia a sociologia do conhecimento como pesquisa das variações do saber.

Ao estudar as variações do saber, “o sociólogo do conhecimento não deve colocar nunca o problema da validade e o valor propriamente dito dos signos, símbolos, conceitos, idéias, juízos”, mas deve apenas “constatar o efeito de sua presença, de sua combinação e de seu funcionamento efetivo” – quer dizer, colocar o saber em perspectiva sociológica ou, apenas, analisar a perspectivação sociológica do conhecimento como fato. Os estados mentais intelectuais como as representações e a memória, assim como as opiniões coletivas (sempre vacilantes e incertas, a iludirem as chamadas ‘pesquisas de opinião’) são manifestações da consciência apenas aberta - contrariamente aos atos mentais que são as manifestações mais intensas da consciência aberta [2]. Portanto, é preferencialmente através dos atos mentais que o conhecimento aceita a maior influência dos quadros sociais, variando com mais segurança em função dos mesmos. Quer dizer, os atos mentais se apreendem na implicação mútua entre as “experiências de participar no real” e os juízos assim tornados cognitivos, de que as atitudes são os focos privilegiados.

Sem dúvida, na elaboração da explicação em sociologia, o sociólogo descreve e aplica os diversos procedimentos relativistas e dialéticos de intermediação que ele encontra na própria realidade social descoberta, para fazer ressaltar o acordo ou desacordo do conhecimento em correlações funcionais com os quadros sociais. Essa atitude de descrever correlações exclui qualquer “invencionismo” e não induz a “deformação” alguma, mas pode certamente favorecer a diminuição da importância do coeficiente existencial do conhecimento pela tomada de consciência. Antes de se limitar ao indivíduo e em particular ao sociólogo, a liberdade humana como escolha, decisão ou criação se afirma também nas manifestações coletivas as quais, elas mesmas, estruturam a realidade social descoberta pelo sociólogo – quem, sem dúvida, guarda o segredo desse conhecimento. Segundo GURVITCH [3] , a sociologia é tanto uma ciência de determinismos sociais como da liberdade humana, sendo apoiada na teoria da multiplicidade dos tempos sociais, e a questão da atitude do sociólogo é um problema de experiência dialética implicando a orientação da teoria sociológica para construir suas noções operativas com base nos procedimentos de intermediação, nada tendo a ver com os esquemas tradicionais que opõem de maneira abstrata um “sujeito pesquisador” a um “objeto pesquisado”. Toda a ciência investiga não aquilo que já se sabe, mas o objeto escondido, e a construção dos objetos precisos da experiência e do conhecimento é precedida pela descrição mediante os procedimentos hiperempíricos, cujo segredo é ser uma descrição orientada para a “demolição de todos os conceitos adquiridos”, em vista de impedir a “mumificação” dos mesmos, e compreende as complementaridades, as compensações, as ambigüidades, as ambivalências, as reciprocidades de perspectivas e as polarizações, como procedimentos hiperempíricos ou procedimentos dialéticos de intermediação.

©2007 Jacob (J.) Lumier



[1] O coeficiente existencial do conhecimento inclui os coeficientes humanos (aspectos pragmáticos, políticos e ideológicos) e os coeficientes sociais (variações nas relações entre quadros sociais e conhecimento). Ver Gurvitch, Georges: “Los Marcos Sociales del Conocimiento”, trad. Mário Giacchino, Caracas, Monte Ávila, 1969, 289 pp (1ªedição em Francês: Paris, PUF, 1966).

[2] Ibid, ibidem.

[3] Gurvitch, Georges et al.: “Tratado de Sociologia-vol. 1” tradução Ana Guerra, revisão: Alberto Ferreira, Porto, Iniciativas Editoriais, 1964, 2ªedição corrigida (1ªedição em Francês: Paris, PUF, 1957). - ”Tratado de Sociologia-vol. 2” tradução Ma. José Marinho, revisão: Alberto Ferreira, Porto, Iniciativas Editoriais, 1968, (1ªedição em Francês: Paris, PUF, 1960).







Realismo sociológico e utopismo.


Se a primeira vista a referência à laicização como conceito sociológico pode parecer pouco usual é porque há relutância por parte de pensadores influentes em reconhecer a sociologia de Marx. Neste sentido, pode-se admitir um debate silencioso entre Habermas e Gurvitch sobre o problema da alienação no legado do jovem Marx e Saint-Simon.

De fato, contrariamente a Jürgen HABERMAS que pretende hegelianizar a leitura de Marx[1] não há razão para cobrar a hipoteca do passado sobre a noção de trabalho alienado em MARX; muito menos subordiná-lo à HEGEL. Sem dúvida, há uma aplicação política da dialética das alienações que explica por que MARX estendeu o termo “ideologia” a todas as ciências humanas, às ciências sociais (incluindo a economia política e a história, desde que não sejam penetradas pelo marxismo) e, posteriormente, a todas as obras de civilização. É exatamente a aspiração à libertação total de certos aspectos da alienação que explica isso.

Há ambigüidade do termo “alienação” ocultando a confusão entre o realismo sociológico e o utopismo. Segundo Gurvitch o exame do problema sociológico da ideologia sofre o efeito da aspiração de Marx à libertação total da alienação: “na sociedade futura, o desaparecimento das classes deveria conduzir a uma situação em que todo o conhecimento científico e filosófico seria liberto das suas relações com os quadros sociais: o seu coeficiente social seria eliminado”, configurando uma concepção de “verdade completa, total, absoluta” que se afirma fora de qualquer quadro de referência. Orientação essa que reencontra o “paradoxo da verdade absoluta ocultando-se sob a ideologia da classe proletária” que dela se serve para se constituir a fim de fazer triunfar essa verdade na história transformada em teodicéia. É o utopismo como filosofia da história hegeliana revirando-se contra a análise sociológica.

Em realidade a ligação entre ideologia e alienação não é uma ligação necessária. Devemos ter em conta que este problema se soluciona desde o ponto de vista da ultrapassagem do dualismo das ciências naturais e das ciências humanas, ultrapassagem que não deve ser procurada na absorção das ciências humanas pelas ciências naturais, mas na constatação de que qualquer ciência é uma atividade social prática e, portanto, comporta um coeficiente humano notando que é este o posicionamento e a formulação de Marx nas Teses sobre Feuerbach. A ideologia não passa de um gênero particular do conhecimento: o conhecimento político que se afirma em todas as estruturas e em todos os regimes, mas cuja importância e cujo papel variam. Ao desprezar esta constatação, Habermas não segue a clarividência de LEFEBVRE [2] e, em detrimento da influência reconhecida dos escritos e da ação de SAINT-SIMON e de PROUDHON sobre Marx[3] , coloca-se entre os relutantes à sociologia e favorece a filosofia hegeliana da história como se revirando contra a análise sociológica.

Por contra, é sabido que a dialética desdogmatizadora de MARX se elabora em revolta contra HEGEL e contra a análise hegeliana da realidade social resumida na “Filosofia do Direito”, ainda que seja notada certa condescendência do jovem MARX para com “A Fenomenologia do Espírito”. Sem dúvida, o aproveitamento da sociologia de MARX resta metodologicamente ancorado nessa “revolta” fundante, nessa negação do discursivo, viabilizando o conhecimento em realidade, cuja procedência é tanto mais confirmada quanto patente se mostra o fracasso de HEGEL na sua tentativa de ligar dialética e experiência, ligação fundamental para as Ciências Humanas. Segundo Gurvitch, “a dialética de MARX encontra-se nas antípodas da dialética de HEGEL porque não defende uma tese filosófica pré-concebida, mas propõe-se a fazer sobressair a complexidade e o caráter dramático da realidade social e a relatividade dos diferentes quadros sociais em que decorre a vida econômica. Além disso a dialética de MARX levanta um problema novo que HEGEL não considerou nem poderia ter considerado: o da relação dialética entre método dialético e a realidade social e, sobretudo, a realidade humana, que já é dialética” [4].

MARX foi sociólogo no sentido estrito de reconhecer a laicização e a relatividade do arcaico e do histórico porque, ao chegar à descoberta da realidade social por trás do fetichismo da mercadoria, desencadeou o “desencantamento” da Economia Política, evidenciando nas representações desta última o estágio arcaico da consciência alienada. Portanto, a possibilidade de uma reflexão dos temas da sociologia decorre não de uma deslocada aproximação Hegel/Marx, mas, sem dúvida, surge da dialética das alienações desenvolvidas na “Ideologia Alemã” na qual em resumo, (a) - o trabalho é alienado em mercadorias; (b) - o indivíduo é alienado à sua classe; (c) - as relações sociais são alienadas ao dinheiro, etc., alienações estas afirmadas como expressões da revolta contra HEGEL e contra a análise hegeliana da realidade social na qual, por sua vez, equivocadamente, se estabelece a alienação da sociedade e do homem em proveito do Estado.

Quer dizer, o realismo sociológico funda-se na via de uma ligação entre dialética e realidade social, de tal sorte que os temas críticos desconhecidos de HEGEL fazem parte de uma análise sociológica do desocultamento da consciência alienada, a que, igualmente em revolta não mais contra Hegel, porém revolta contra a Economia Política, MARX se refere no “Rascunho da Contribuição à Crítica da Economia Política” (“Grundrisse....”) quando relaciona diretamente com a dominação pelas alienações a própria constituição da Economia Política. De fato, elaborando-a em modo separado da sociologia econômica, “os economistas burgueses estão de tal modo impregnados pelas representações características de um período particular da sociedade, que a necessidade de certa objetivação das forças sociais do trabalho lhes parece inteiramente inseparável da necessidade da desfiguração desse mesmo trabalho pela projeção e pela perda de si, opostas ao trabalho vivo” [5] (Grundrisse...p.176; apud Gurvitch Cf. “A Vocação Actual da Sociologia –vol.II, op. Cit. pp.341 sq. ). E MARX prossegue: “eles (os economistas) acentuam, não as manifestações objetivas do trabalho, da produção, mas a sua deformação ilusória, que esquece a existência dos operários, para reter apenas a personificação do capital, ignorando a enorme força objetiva do trabalho que se exerce na sociedade, e que está na própria origem da oposição dos seus diferentes elementos” (ib.).

Desta forma, na medida em que se integra no desocultamento da consciência alienada levando à recuperação da prevalência da sociedade sobre a economia, o realismo sociológico favorece a aproximação da teoria do fetichismo da mercadoria em MARX, por um lado, à análise sociológica e antropológica do mito do maná-mágico em Marcel MAUSS por outro lado, em que pese as especificidades respectivas das diferentes análises. Quer dizer, a vida nas sociedades arcaicas – como vida humana, social, econômica e política – é inteiramente penetrada pelo sobrenatural, seja ele transcendente (Religião) ou imanente (Magia como obra de civilização), cujo conflito e cooperação constituem seu princípio motor, sua tensão motora [6]. E GURVITCH assinala que a insuficiência das análises antropo-sociológicas de ENGELS na “Origem da Propriedade,...” está em haver considerado a economia dos “primitivos” em detrimento dessa realidade de conjunto das forças coletivas nas sociedades arcaicas. Portanto, a aproximação da teoria do fetichismo da mercadoria à análise sociológica do maná-mágico em nada prejudica a especificidade da teoria de MARX, como sendo referida ao objeto da sociedade de acumulação capitalista. Trata-se simplesmente de fazer ver que este fetichismo da mercadoria condicionando a consciência social não é sem paralelo na condição humana e que MARX foi sociólogo no sentido estrito de reconhecer a laicização e a relatividade do arcaico e do histórico porque, ao chegar à descoberta da realidade social por trás do fetichismo da mercadoria, desencadeou o “desencantamento” da Economia Política, evidenciando nas representações desta última o estágio arcaico da consciência alienada e do pensamento a ela subjacente.

Embora, na “Ideologia Alemã”, MARX não chegue a estabelecer suficientemente a “distinção entre objetivação, solidificação, exteriorização em estrutura ou organização, e alienação propriamente dita” (...) a sua descrição do fenômeno do fetichismo da mercadoria torna-se, no dizer de GURVITCH,“mais precisa e com mais sentido sociológico” (ou antropo-sociológico, isto é, com sentido mais próximo da análise sociológica do mito do maná-mágico) “quando mostra a pressão que exercem gradualmente as forças sociais que não conseguimos dirigir”, pressão esta que ameaça transformar-se, segundo as palavras de MARX, numa “força estranha que já não surge como o poder unido dos homens , mas, antes, surge como um elemento situado fora deles próprios, de que eles (os homens) não conhecem nem a origem, nem o objetivo” [7]. É “sob o regime capitalista que a objetivação, a independentização e a exteriorização do social, por se transformarem em perda e dissolução na projeção, isto é, a alienação strictu sensu, tomam uma forma particularmente envolvente e ameaçadora”.

©2007 Jacob (J.) Lumier



[1] Ver “Théorie et Pratique-vol.2”, tradução e prefácio: Gérard Raulet, Paris, Payot, 1975, 238pp. /1ªedição em Alemão, 1963. Cf.págs.. 208 a 211.

[2] Ver: ‘Sociologia de Marx’, tradução Carlos Roberto Alves, Rio de Janeiro, Forense, 1968, 145 pp. (1ªedição em Francês: Paris, PUF, 1966); Ver: "Psicologia das Classes Sociais", in GURVITCH e al.: ‘ Tratado de Sociologia-vol.2’, tradução Almeida Santos, revisão Alberto Ferreira, Porto, Iniciativas Editoriais, 1968, pp.505 a 538 (1ªedição em francês: Paris, PUF, 1960 ).

[3] Lembrando que no dizer de ENGELS em seu opúsculo sobre o Socialismo Utópico e o Socialismo Científico (Paris, Ed.Sociales), “quase todas as idéias não estritamente econômicas dos socialistas posteriores estão contidas em geral em SAINT-SIMON”.

[4] Cf. Gurvitch, Georges: “A Vocação Actual da Sociologia –vol.II: antecedentes e perspectivas”, tradução da 3ªedição francesa de 1968 por Orlando Daniel, Lisboa, Cosmos, 1986, 567 pp. (1ªedição em francês: Paris, PUF, 1957). Pág.279.

[5] Cf. Grundrisse...p.176; apud Gurvitch: “A Vocação Actual da Sociologia –vol. II, op. Cit. pp.341 sq.

[6] Veremos neste ensaio que o ponto de vista da Crítica da Cultura limitando a desmitologização ou a desmagização ao âmbito da indústria cultural deve ser aprofundado como mediação para dimensionar o impacto da laicização nas obras de civilização, sobretudo em relação à origem da técnica e da moralidade autônoma (laicização da Magia “Branca” como obra de civilização nas sociedades arcaicas levando à técnica e à moralidade autônoma).

[7] Cf. Marx, Ideologia Alemã: Vol. VI pp.175, 6ªed. Molitor; apud Gurvitch, A Vocação... Vol.II, op.cit, pág.297.



SOCIOLOGY IN GOOGLE NEWS







A Sociologia do Conhecimento, as Ciências Cognitivas e

os Profissionais das Ciências Humanas

É de bom senso que, diante da influência das chamadas “ciências cognitivas”, os praticantes da mirada e da intervenção sociológica, sejam eles estudantes, animadores de atividades sociais e profissionais das Ciências Humanas tenham presente a conclusão de DURKHEIM em face daqueles que, como Gabriel TARDE, houveram desejado dissolver o psiquismo coletivo no psiquismo individual ou interpessoal, já que seriam eles ... materialistas e monistas sem que o soubessem: ignoram a descontinuidade e a contingência que diferenciam as esferas do real e as reduzem a uma só .

Em face das chamadas “ciências cognitivas” que examinam o conhecimento sem tomar em consideração a consciência em seu conjunto, é indubitável que a sociologia do conhecimento dispõe de melhores recursos operativos a partir da percepção de que a realidade social do conjunto comporta uma pluralidade de modos atualizados. Como se sabe, é uma aquisição da teoria sociológica no legado de seu fundador Saint-Simon e de Karl Marx, valorizada por Georges GURVITCH, a verificação de que a realidade é em ato. Quer dizer, a consciência faz parte das forças produtivas em sentido lato e desempenha um papel constitutivo nos próprios quadros sociais, - seja como linguagem, seja pela intervenção do conhecimento, seja ainda como direito espontâneo - tirando-se daí que a construção do objeto na teoria sociológica se faz a partir dos quadros sociais como sendo os modos de ação comum atualizados nas manifestações de sociabilidade (os Nós, as relações com outrem), atualizados nos agrupamentos particulares, nas classes sociais e nas sociedades globais, sendo que os quadros sociais exercem um domínio, um envolvimento sobre a produção material e espiritual que se manifesta em seu seio, o que se prova mediante as correlações funcionais. Dessa forma, os quadros sociais e a consciência real (a religião, a família, o Estado, o Direito, a moral, a ciência, o espírito - no dizer do jovem Marx) revelam-se em procedimentos dialéticos também como produtos das forças produtivas strictu sensus, e por isso podem permanecer objetivados dando lugar, por sua vez, à dialética dos níveis de realidade social. É claro que na construção de tipologias a teoria sociológica tira dessa dialética complexa dos níveis da realidade social ela própria os procedimentos por complementaridade, compensação, implicação mútua, ambigüidade, ambivalência, reciprocidade de perspectiva e até polarização.

Porém o estudo da estruturação para esclarecer o problema da possibilidade da estrutura implica igualmente a compreensão de que as manifestações de sociabilidade como fenômenos microssociológicos são elementos anestruturais, portanto incapazes por si próprios de formar hierarquias dos patamares de realidade. Ou seja, as formas de sociabilidade embora não unifiquem atualizam no seu seio os degraus objetivados da realidade aos quais Georges GURVITCH chamará “níveis múltiplos”, constatando que entre esses níveis se trata de relações inteiramente variáveis alternando e combinando por um lado graus de cristalização e por outro lado graus de espontaneidade, constituindo assim forças dinâmicas de mudança. Portanto, as hierarquias em que esses níveis múltiplos tomam parte são também hierarquias múltiplas que variam em cada sociedade e em tal ou qual tipo de estrutura - seja estrutura parcial ou global – e nas quais a descontinuidade prevalece. O conceito de estrutura social em sociologia diferencial põe em relevo o fato de o conjunto social por mais complexo que seja preceder, virtualmente ou atualmente, todos os equilíbrios, hierarquias, escalas. O estudo desses níveis múltiplos e dessas hierarquias múltiplas permite avançar na explicação sociológica do que GURVITCH chama pluridimensionalidade da realidade social, suas ordens sobrepostas, e, se as camadas seccionadas podem se afirmar como sendo mais cristalizadas e oferecer um suporte mais sólido à estruturação do que jamais poderão fazê-lo as manifestações de sociabilidade, cabe sublinhar que tais camadas seccionadas nada representam, e não passam de aspectos difusos da matéria social dinâmica, independentes do grau de valor e de realidade, somente limitadas aos graus de dificuldade para acessá-las. Dessa maneira, a teoria sociológica constrói seu objeto na medida em que delimita a realidade social em níveis mais ou menos construídos para estabelecer conceitos ou quadros operativos eficazes em vista de dar contas da pluridimensionalidade da realidade social.

Seja como for é preciso evitar a postura dogmática que se monta em torno do desconhecimento dos problemas da microssociologia, evitando notadamente o desprezo pelo estudo dos Nós como expressão concreta da consciência coletiva, isto é, como focos das interpenetrações das consciências e das condutas, de suas fusões parciais constituindo os fenômenos de participação direta dos indivíduos nas totalidades espontâneas. Segundo GURVITCH, em sociologia os Nós são precisamente compreendidos em um movimento dialético real pela simples razão de que: se interpenetrar ou fusionar parcialmente não quer dizer em absoluto se identificar, mas quer dizer se afirmar de uma só vez irredutíveis e participantes, unidos e múltiplos.

Sabemos que DURKHEIM e seus colaboradores já na primeira metade do século XX tomaram em consideração a existência de memórias coletivas múltiplas acentuando que as consciências individuais se revelam penetradas pelas memórias coletivas (Maurice HALBWACHS). DURKHEIM ele próprio em debate com Gabriel TARDE ao insistir que não se pode desconhecer a descontinuidade e a contingência que diferenciam as esferas do real se posiciona sobre a referência das funções cerebrais na vida da consciência, como que antecipando a preocupação das chamadas ciências cognitivas. Assim em seu estudo sobre Les Représentations Collectives et les Représentations Individuelles, estudo posteriormente inserido na sua obra Philosophie et Sociologie, pressentindo a dialética ao argumentar por analogia sobre a autonomia relativa nas relações entre a consciência coletiva e a consciência individual, DURKHEIM deixa claro sua recusa em reabsorver a consciência coletiva nas consciências individuais nos dizendo que isto equivaleria a reabsorver o pensamento na célula e retirar à vida mental toda a especificidade. Certamente já se sabe hoje em dia que a descontinuidade diferenciando a consciência individual das células do cérebro não é idêntica àquela que diferencia a consciência coletiva da consciência individual. Segundo GURVITCH, e apesar de suas variadas implicações, o psíquico e o biológico ou orgânico pertencem a esferas do real mais ou menos disjuntas, admitindo sobreposição, enquanto que, pelo contrário, a consciência coletiva e a consciência individual são manifestações da mesma realidade estudada como fenômeno psíquico total.

Seja como for, o fato de que a técnica influi em todos os ramos do saber não justifica está claro o abandono da consciência em seu conjunto no estudo do conhecimento como elemento de civilização, nem dá respaldo para que o conhecimento deva ser reduzido às funções cerebrais e tratado como mero fruto das linguagens lógicas e matemáticas. Por mais intuitiva que seja a inteligência artificial no sentido amplo deste termo, não se vê de que modo poderá ela substituir a experiência humana como essencial para o conhecimento e no conhecimento. Tanto mais que, como se sabe, não há comunicação alguma sem o psiquismo coletivo. Os juízos cognitivos pressupõem a apreensão das amplitudes concretas da sociabilidade, inexistentes no ciberespaço. Portanto, em razão desta constatação é de bom senso que, diante da influência das chamadas “ciências cognitivas”, os praticantes da mirada e da intervenção sociológica, sejam eles estudantes, animadores de atividades sociais e profissionais das Ciências Humanas tenham presente a conclusão de DURKHEIM em face daqueles que, como Gabriel TARDE, houveram desejado dissolver o psiquismo coletivo no psiquismo individual ou interpessoal, já que seriam eles ... materialistas e monistas sem que o soubessem: ignoram a descontinuidade e a contingência que diferenciam as esferas do real e as reduzem a uma só .

Cabe portanto acentuar a importância da dialética complexa para a orientação diferencial da sociologia do conhecimento, sobretudo visando instruir em molde propedêutico a atuação dos que, profissionais ou voluntários, na mídia ou não, em suas atividades sociais regulares se relacionam ao aspecto instituinte da vida social como as condutas efervescentes que emergem nos diálogos, debates, reuniões, assembléias, etc. Como é sabido, uma vez que a sociologia faz entrever os conflitos reais entre os aparelhos organizados, as estruturas propriamente ditas e, enfim, a vida espontânea dos grupos, não se pode preservar o conceito de instituição como práxis e coisa e desconhecer a dialética dos atos e das obras, “das maneiras de ser e dos jeitos de se ver” (“controles sociais”), em que o conceito de estrutura se revela o mais dialético: os atos individuais ou coletivos não se deixam reduzir à objetivação nas obras de civilização.

© 2007 Jacob (J.) Lumier

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