segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Obama e a Mídia brasileira


Reproduzo aqui um comentário publicado no Observatório da Imprensa que é muito pertinente e esclarecedor da tendência ideológica conservadora da mídia brasileira que vem se tornando mais atrasada e se distanciando do atual Nobel da Paz .

LEITURAS DO FIM DE SEMANA
A vanguarda do atraso - Por Alberto Dines em 19/10/2009 Comentário para o programa radiofônico do OI, 19/10/2009

Para exibir sua isenção e objetividade, a grande mídia deu neste último fim de semana bastante destaque ao conflito entre a Casa Branca e o canal de notícias americano Fox News. Algumas análises sobre o caso apareceram ao lado da ofensiva da Casa Rosada contra a mídia argentina como se tratasse de episódios similares. Veja, como sempre, foi mais longe e classificou como "ridícula" a disposição de Barack Obama em enfrentar o magnata Murdoch.






Nossa imprensa mais uma vez exibe o seu potencial de simplificação e generalizações, sempre de olhos em comparações. Em primeiro lugar é preciso ter em conta que a imprensa americana é muito diversificada, há veículos liberais e progressistas, há reacionários agressivos e há conservadores equilibrados. Portanto, se a Casa Branca reage à histeria de um canal de extrema direita está no seu legítimo direito. Ruim seria se o presidente americano investisse contra a mídia em geral como tem acontecido com muita freqüência no Hemisfério Sul.

O que está acontecendo neste momento na mídia brasileira no tocante a Obama é uma reação concatenada contra certas opções políticas adotadas pelo governo americano que o lobby brasileiro considera "esquerdistas". Exemplo: as "intervenções brancas" na indústria automobilística e bancária e o novo sistema de saúde pública, ambos fortemente estatizantes.

Guerra Fria

Mas qual seria a opção da grande mídia brasileira – deixar que os bancos e as montadoras de Detroit falissem? Quem teria condições de reverter o caos dos serviços médicos americanos – os planos de saúde privados?

É evidente que a Casa Branca não está minimamente interessada na reversão das posições da mídia brasileira que trocou rapidamente o entusiasmo anterior por um ceticismo militante contra Obama. Esta reversão, porém, interessa a nós, leitores, ouvintes, internautas e telespectadores brasileiros, condicionados por critérios originários no mundo de ontem.

O principal aporte do presidente americano é a sua disposição de abandonar os parâmetros da Guerra Fria que vigem há 64 anos, desde 1945. Nossa mídia ainda aposta neles: além de conservadora, está muito atrasada.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A questão ambiental no Observatório da Imprensa


Reproduzo no texto que segue o pertinente comentário difundido no Observatório da Imprensa a respeito da nova publicação da revista Carta Capital sobre a questão ambiental.

PAUTA AMBIENTAL

A imprensa verde

Por Luciano Martins Costa em 15/10/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 15/10/2009


Os debates sobre a questão ambiental há muito ocupam lugar de destaque na agenda econômica internacional. O tema conquistou espaço entre os indicadores de desempenho dos investimentos, com referências rotineiras nos principais órgãos informativos do mundo, tanto no papel como na televisão e na internet, por meio do acompanhamento do valor das ações dos chamados fundos sustentáveis.

O mais importante desses indicadores, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, completou dez anos em setembro, consolidando-se como principal parâmetro para a análise dos investimentos em negócios chamados socialmente responsáveis.

O histórico desses indicadores e dos fundos de investimentos formados por ações de empresas que lideram esse movimento no mundo financeiro revela um desempenho regularmente superior ao das demais companhias de capital aberto e menor vulnerabilidade desses papéis às oscilações do mercado. No entanto, a imprensa brasileira ainda trata essa vanguarda como uma faixa marginal do ambiente de negócios.

Pelo nome

São raros os movimentos no sentido de relacionar estratégias sustentáveis de negócio ao tema geral da defesa do meio ambiente e da responsabilidade social, como se os editores estivessem convencidos definitivamente de que o capitalismo tem que ser necessariamente um ambiente selvagem no qual o respeito à natureza e o humanismo representam sinais de vulnerabilidade.

Nesse cenário, chama atenção a iniciativa da revista CartaCapital, que inaugurou, na edição desta semana, um encarte trimestral sobre o tema, composto em parceria com a agência de notícias Envolverde. A aliança com uma das mais respeitadas mídias socioambientais dá à CartaCapital a oportunidade de abordar com profundidade essas questões.

A edição inaugural do suplemento se concentra nos debates que antecedem a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Clima, oferecendo uma visão ampla do desafio que os líderes mundiais terão de encarar em Copenhague daqui a dois meses. A "Carta Verde", como é denominado o suplemento, peca apenas no nome. A expressão tem sido contaminada por muitas ações publicitárias de empresas que mais se dedicam a limpar sua imagem do que a cuidar realmente do meio ambiente.

Leia a continuação teclando aqui.


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