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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Minc considera COP-15 uma frustração

Assessoria de Comunicação ASCOM
Web do Ministério do Meio Ambiente

Reproduzido por Jacob (J.) Lumier

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Para ministro, é hora do Brasil se mobilizar para fazer sua parte

20/12/2009

Ao sair na madrugada de sábado (19/12) do plenário da Conferência de Mudança do Clima das Nações Unidas, em Copenhague (Dinamarca), após horas de intensas negociações, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que estava vivendo "um dos dias mais tristes" de sua vida. Para ele, a chamada COP-15 foi "uma frustração", embora com "alguns poucos avanços".





Após dias e dias de negociações com lideranças de outros governos, Minc saiu convencido de que os Estados Unidos foram os grandes responsáveis "por esse clima ruim", já que, sem "mandato para negociar", pois seu plano de reduções de emissões de gases-estufa sequer fora aprovado pelo Senado dos EUA, apresentaram metas muito tímidas.

Minc passou a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado em intensas negociações em reunião em que ministros de 30 nações acordaram um texto básico que, ao ser levado a plenário, foi rejeitado por alguns países, como Cuba, Nicarágua e Venezuela, o acabou por inviabilizar sua aprovação, já que, nos encontros da ONU, é preciso haver consenso mínimo para aprovação de documentos básicos.

Para o ministro do Meio Ambiente do Brasil, a COP-15 foi marcada por posições egoístas de países, com "cada um olhando para o seu umbigo", e até mesmo ideológicas, como foi o caso de nações com a Venezuela e Cuba que, sem nunca terem se destacado nas lutas ambientais, teriam rejeitado o acordo final apenas para se contrapor ao Estados Unidos - um dos maiores fiadores do documento que foi levado a plenário e acabou rejeitado.

De qualquer forma, Minc acha que algumas poucas, mas importantes questões tiveram algum tipo de avanço, o que viabilizou que sejam melhor discutidas ao longo deste ano, como a questão do pagamento de ações para se manter as florestas em pé, dentro do chamado Mecanismo Redd, e a do financiamentos para ações de adaptação a efeitos do aquecimento global, nos países mais pobres, e de mitigação, nos países emergentes que são grandes emissores de gases de efeito estufa..

Minc lembrou que, apesar do clima de frustração, o Brasil vez sua parte, apresentando "metas ousadas" de emissões evitadas de CO2, entre 36% e 39%, em 2020, e "suando a camisa" para que prevalecesse um acordo legal de alto nível ao final da COP-15, o que infelizmente não ocorreu.

Mas agora, acrescentou, é hora de não se ficar parando, com o Brasil "arregaçando as mangas" para que suas metas de redução de gases-estufas sejam cumpridas, pelo bem do planeta. "Alguns passos foram dados, embora tímidos. Temos que analisar isso agora com muita profundidade, para impedir que isso volte a acontecer. É hora agora de mobilizar a sociedade, para fazermos a nossa parte."
ASCOM
Reproduzido por Jacob (J.) Lumier
Member of Sociologists without Borders Think Tank

sábado, 14 de novembro de 2009

Luta contra o aquecimento global: apoio ao PV/RJ

Luta contra o aquecimento global –

Conferência de Copenhagen – 06 Dezembro 2009

Metas de redução

No Brasil, pretendem reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa (GEEs) em 36,1% a 38,9% em relação aos níveis estimados (?) em que estariam em 2020 se o país nada fizesse.

OBSERVAÇÕES EM FAVOR DA POSIÇÃO DO PV DEFENDIDA POR SIRKIS

Primeiro: evidentemente, é preciso analisar as taxas de crescimento do PIB sobre as quais as percentagens de redução dos GEEs são projetadas. No caso brasileiro, parece mais realista projetar sobre um crescimento de 4% do PIB, e não 5% ou 6%.

Segundo: é preciso considerar a diferenciação no aumento das emissões de GEEs em relação ao ano de 1990, ano base para o Protocolo de Kioto.

Temos os seguinte quadro para o aumento das emissões:

Em 2005: a estimativa da emissão anual brasileira com base no ano 2005 é de cerca de 2,25 gigatoneladas (Gt).

Em 1990, ano base para o Protocolo de Kioto, ela foi de 1.6 Gt.

Em 1994 foram 1.7 Gt.

Constatação: entre o ano base de 1990 e 2005 houve um aumento de quase 25% nas emissões brasileiras de GEE.

Temos o seguinte quadro para a diferenciação das fontes poluidoras

As principais fontes de emissão tiveram aumentos diferenciados neste período em relação a 1990.

* Nas florestas e transformações de uso do solo, em 2005, já se emitia 1.1 Gt de GEE, um aumento de 10% em relação a 1990.

* Na indústria, 0,035 Gt com aumento de 90%;

* Na energia, 0,35 Gt com aumento de 65% ;

* Na agropecuária 0,46 Gt com aumento de 38%, em percentuais arredondados.

Constatação: Nota-se se aí uma forte tendência para uma mudança histórica no perfil de nossas emissões.

As queimadas florestais em baixa relativa e as indústrias, a energia e a agropecuária em alta.

Tomando como base o ano de 2005, as estimativas preliminares indicam que as emissões brasileiras de GEE já se dividiam meio a meio.

Para 2010 pode-se estimar que o peso das emissões não florestais já terá ultrapassado as florestais.

Nosso futuro tende a um perfil mais próximo ao do mundo altamente industrializado, em relação aos GEE, e isso torna indispensável fixar metas de redução de emissões, não apenas no combate ao desmatamento, como também na geração de energia, transportes, indústria, construção e agropecuária.

POSICIONAMENTO


Os verdes defendem que o Brasil deva assumir compromissos claros em relação a suas próprias emissões, com metas de redução mensuráveis, reportáveis e verificáveis em todos os setores; e que, pelo menos, sejam as mesmas equivalentes à metade das metas que forem assumidas na "Conferência das Partes" de Copenhagen, Dinamarca (COP-15), pela Europa, EUA e Japão.

Propugnam também que o Brasil deveria defender dois princípios:

1 - Todos os países – inclusive os grandes emergentes como China, Índia e Brasil – devem estabelecer metas claras, obrigatórias e internacionalmente verificáveis para a redução de gases do efeito estufa (GEEs). Até agora, a China e a India se recusam a isso, aceitando apenas expandir menos suas emissões.

2 – Os Poluidores históricos, incluindo os países industrializados (Europa, Japão, EUA) devem comprometer-se a aportar recursos e tecnologia para uma nova economia mundial de baixo carbono na proporção de sua responsabilidade histórica pelos GEEs acumulados na atmosfera, ou seja: 70%.

O Banco Mundial estima em U$ 470 bilhões anuais esses custos de reconversão global. Por esse critério caber-lhes-ia aportar U$ 330 bilhões anuais. Até agora, os EUA acenaram com um décimo disso.

O ministro Carlos Minc considera não-realista a posição dos verdes, pois ficaríamos mais avançados do que os EUA que, convenhamos, não é tanto assim.

Todavia, ele acha que não é inviável o Brasil assumir metas de redução abaixo de 1990.

Sem entrar na discussão técnica sobre isso, é importante reverberar nossa posição por que nossa campanha poderá ser importante para que o governo termine optando pela meta de redução de emissões perto dos níveis de 1990 - (1.6 Gt).

Seria, de fato, uma posição mais avançada que a dos EUA e léguas à frente da China e da India, mas ainda aquém dos esforços que todos devem fazer para reverter a catástrofe climática que se prenuncia.

Crédito: artigo de Sirkis publicado na Web do PV/Rio de Janeiro

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Leia aqui um resumo das posições oficiais

As metas de redução de emissão de gases do efeito estufa que o Brasil levará para a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague (Dinamarca) foram anunciadas na tarde desta sexta-feira (13), em São Paulo, pelo governo.

Resumo:

O País deve reduzir entre 36,1% e 38,9% sobre as estimativas de emissões previstas para 2020.

Considerando cenários de crescimento econômico de 5% e 6%, as ações para mitigação das emissões até 2020 prevêem iniciativas nas áreas de uso da terra, agropecuária, energia e siderurgia.

As metas prevêem uma redução de 20,9% nas emissões de CO2 com a redução de 80% no desmatamento da Amazônia. E 3,9% com a redução de 40% no desmatamento do Cerrado, um total de 24,8% sobre as estimativas de emissões previstas para 2020 com base no PIB desejado de 6% ao ano.

Para a agropecuária, a proporção de redução varia de 4,9% a 6,1%. Para isso, são listadas ações de recuperação de pastos, integração lavoura-pecuária, plantio direto e fixação biológica de nitrogênio.

No setor de energia, a proporção de redução varia de 6,1% a 7,7%, com foco em eficiência energética, incremento no uso de biocombustíveis, expansão da oferta de energia por hidrelétricas e fontes alternativas como, por exemplo, bioeletricidade e energia eólica.

Na siderurgia, com proporção de redução variando de 0,3% a 0,4%, o foco estará na substituição de carvão de desmate por árvores plantadas.


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domingo, 5 de abril de 2009

Resultado animador do encontro do G-20



Sobre o resultado do encontro do G-20, realizado em Londres na quinta-feira 2 de Abril destacam-se os seguintes pontos que atendem aos movimentos sociais pela reforma do capitalismo:

O primeiro deles: um grupo formado pelos países do G 20, mais Espanha e Comissão Européia, vai coordenar um sistema de detecção de sinais de crise, para garantir a estabilidade do sistema econômico mundial. Essa decisão significa que o sistema de governança deverá ser mais transparente e confiável, uma vez que devem sair de cena as agências privadas de avaliação de risco, que erraram completamente suas previsões durante o período que antecedeu a eclosão da crise.

Outra decisão: a legislação internacional sobre bancos e mercados financeiros será mais severa, com maior controle sobre fundos de “hedge” e sobre os riscos tomados pelo sistema financeiro. Essa medida era um dos pontos de discórdia entre os Estados Unidos e outros participantes do encontro, como a Europa, a China e o Brasil.

Juntamente com a moralização dos bônus para executivos financeiros, que agora serão condicionados a resultados concretos e auditados, essa é uma resolução que pode romper o círculo de perversidades que levaram à expansão dos sistemas de pirâmides e fraudes e que são parte da origem da crise.

(…)

Também tem bastante repercussão o plano de reforma do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, mas as medidas mais importantes e que devem produzir mudanças no modelo da globalização são o fim dos chamados “paraísos fiscais” e a prioridade de investimentos para projetos sustentáveis capazes de gerar emprego.

O fim dos “paraísos fiscais” deve aumentar o controle sobre circulação de dinheiro originário de corrupção, fraudes e do crime organizado. A busca de uma economia sustentável é a esperança de um mundo menos vulnerável. Juntas, essas medidas apontam para o fim do modelo econômico que a imprensa transformou em dogma nos últimos anos.

O fundamentalismo de mercado vai para o lixo da História.

Fonte: Observatório da Imprensa
COBERTURA DO G 20 Notícias de um encontro histórico
Por Luciano Martins Costa em 3/4/2009

Reproduzido por Jacob (J.) Lumier

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Resumo de Sociologia do Conhecimento


Resumo do artigo"Vista Sucinta da Sociologia do Conhecimento Técnico, do Conhecimento Político, do Conhecimento Científico e do Conhecimento Filosófico. (decompondo os sistemas cognitivos)", inserido no e-book de Jacob (J.) Lumier intitulado "Técnica, Tecnificação, Sociologia do Conhecimento".

Resumo

Admitindo que nenhuma comunicação pode ter lugar sem o psiquismo coletivo, em sociologia a existência dos conhecimentos coletivos e suas hierarquias ou sistemas é preponderante. Estudam-se os sistemas cognitivos a partir dos tipos de sociedades globais decompondo-os segundo as classes do conhecimento que, por sua vez, podem ser (a) – mais profundamente implicados na realidade social – o conhecimento perceptivo do mundo exterior, o conhecimento de outro e o conhecimento de senso comum, estudados nesta seqüência; (b) – menos espontaneamente ligadas aos quadros sociais ou cuja ligação funcional requer o diálogo e o debate: como é o caso para o conhecimento técnico, o conhecimento político, o conhecimento científico e o conhecimento filosófico.

O conhecimento perceptivo do mundo exterior é privilegiado e dá conta das perspectivas recíprocas sem as quais não há funções estritamente sociais, enquanto os demais conhecimentos já são classes de conhecimento particular, já são funções correlacionadas dos quadros sociais e pressupõem aquele conhecimento perceptivo do mundo exterior — sem que por isso haja qualquer atribuição de valor, mas apenas a constatação de que a simples manifestação dos temas coletivos, como conjuntos complexos e abertos, é diferenciada, de fato, através da perspectivação sociológica do conhecimento perceptivo do mundo exterior, do conhecimento de outro e do conhecimento de senso comum.

Em resumo: onde se verifique essas classes do conhecimento profundamente implicadas na realidade social descobre-se a simples manifestação dos temas coletivos – os Nós, os grupos, as classes sociais, as sociedades – de tal sorte que o conhecimento aparece como obstáculo, constringente como aquilo que suscita os esforços e faz participar no real, levando à configuração da funcionalidade dos quadros sociais, como reciprocidade de perspectivas, aos quais são essas classes de conhecimento as mais espontaneamente ligadas.

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►Do ponto de vista dos sistemas cognitivos em sociologia merece destaque o estudo das quatro classes de conhecimento menos espontaneamente ligadas aos quadros sociais ou cuja ligação passa pela reflexão coletiva – isto é, cuja ligação funcional requer o diálogo e o debate: como é o caso para o conhecimento técnico, o conhecimento político, o conhecimento científico e o conhecimento filosófico.

Podemos notar, juntamente com Georges Gurvitch, que o caráter estrutural específico desses conhecimentos se manifesta em dois níveis das variações do saber, seguintes: (a) - tanto pela efetuação de múltiplos coeficientes sociais variados (caso do conhecimento científico que, embora seja aberto ao público e desinteressado, não é conhecimento direto, mas derivado, e tem como pressuposição a acumulação, a organização e o planejamento da pesquisa); (b) - quanto pela participação direta dos interessados em preservar ou em partilhar os segredos do conhecimento (caso do conhecimento técnico e do conhecimento político).

A exceção vai para o conhecimento filosófico, que é reflexivo em segundo grau, deixando ver que o componente individual predomina sobre o coletivo. É um conhecimento que se produz quase sempre com atraso, inserindo-se com retardo nos atos mentais, cognitivos ou não.

Quer dizer o conhecimento filosófico se insere muito tarde nos outros conhecimentos já obtidos e é caracterizado pelo esforço voltado para integrar as manifestações parciais de fatos, não em simples planos de conjunto, mas nas totalidades infinitas, que superam o humano, para justificá-las (exemplo: o mundo dos valores na filosofia fenomenológica).

Portanto, essa classe de conhecimento afirma um caráter altivo, distante, esotérico, aristocrático. Todavia, o predomínio do individual não é isento de paradoxo, e o conhecimento filosófico surge de uma dialética do conhecimento sem compromisso e do conhecimento comprometido ou engajado, de sorte que a filosofia se cristaliza em doutrinas cortantes.

O conhecimento técnico é uma parte constitutiva da praxis e se integra diretamente nas forças produtivas. Mas não se limita só ao conhecimento da manipulação da matéria nem se identifica com a tecnologia

Em relação ao conhecimento técnico, a análise sociológica volta-se para evitar os mal-entendidos que estimulam a identificação com a tecnologia e para dimensionar a especificidade do conhecimento técnico, notadamente em nossa época, tendo em conta o histórico das técnicas em suas correlações com os quadros sociais.

Procura-se evitar a representação de certas filosofias espiritualistas e sua idéia de racionalidade abstrata, assinalando, contra essas tendências, que o conhecimento técnico não é simplesmente o conhecimento dos métodos empregados para alcançar os fins ideais. Além disso, evita-se também a afirmação do positivismo vulgar, que equipara o conhecimento técnico a um conhecimento científico aplicado, que seria caracterizado por sua elaboração e por sua transmissibilidade.

Em contrapartida, há que sublinhar o caráter irredutível do conhecimento técnico, que é um conhecimento “sui generis”, inspirado e penetrado pelo desejo de dominar os mundos da natureza, do humano e da sociedade; desejo de manejá-los, de manipulá-los, de comandá-los, a fim de produzir, de destruir, de salvaguardar, de organizar, de planificar, de comunicar e de difundir.

Portanto, o conhecimento técnico é uma parte constitutiva da praxis e se integra diretamente nas forças produtivas. Mas não se limita só ao conhecimento da manipulação da matéria nem se identifica com a tecnologia, já que é um conhecimento explícito enquanto se transmite, e implícito enquanto se exerce como habilidade e manipulação, sendo desprovido da exclusividade das competências tecnológicas, que são restritas aos seus detentores.

O domínio do conhecimento técnico é incomparavelmente mais vasto que o manejo da matéria e como insiste Gurvitch abarca todas as manipulações eficazes, as quais, todavia, tendem a independizar-se e a valorizar-se como manipulações precisas, transmissíveis e inovadoras.

É na observação das variações dos graus do conhecimento técnico dentro de um mesmo tipo de sociedade que a análise sociológica ressalta a importância dos segredos técnicos como critério cognitivo da especificidade dessa classe de conhecimento. Constata-se que, na sua distribuição dentro de um mesmo tipo de sociedade, os graus mais altos ficam para os “experts”, que são os possuidores dos segredos técnicos, enquanto os graus mais baixos são atribuições dos executantes de ordens recebidas, dos grupos de ofício ou dos simples homens.

É este caráter específico do conhecimento técnico, esta sua distributividade em função dos seus próprios segredos que torna a importância do conhecimento técnico desigual e inesperada para os distintos tipos de sociedades globais.

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