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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Fenomenologia Concreta de Ernst Bloch - Ebook Issu

A reflexão histórico-filosófica é vista como sendo distanciada em relação às questões prementes da vida pública em virtude do seu caráter não-representacional, embora seja situada na realidade social.

Ernst Bloch é um pensador com essa virtude [1]. Nada obstante, além de uma sociologia do legado rural tradicional na formação das classes sociais, a leitura de sua obra é interessante porque nos mostra a dimensão humana universal da Esperança histórico-filosófica que está por trás dos movimentos camponeses na formação do mundo moderno.

Embora seja estudado em ligação com as conhecidas correntes intelectuais do Século Vinte influenciadas por dogmas materialistas ou marxistas [2], Ernst Bloch é o pioneiro da relativização da dialética na crítica-histórica e, ainda na década de 1920, desenvolve em sua obra a compreensão da totalidade com vários níveis de realidade histórica ou de passado, designada no seu dizer a totalidade múltipla.

Portanto, deve ser lido como pensador europeu relacionado à história contemporânea da dialética, cabendo lembrar a respeito disto que Gastón Bachelard começou a introduzir a dialética em Ciências Humanas somente em 1936 [3], e que a "revolução de Heisenberg" data de 1925, quando foi descoberta a mecânica quântica, cujas Equações de Incerteza levaram a Física Teórica à descoberta da dialética complexa e relativista (Revista Dialectique, 1947) [4].

Neste sentido, tomamos como nossa principal referência a obra Héritage de ce Temps (Erbschaft dieser Zeit, Zürich, 1935), que é uma coletânea de artigos e ensaios que incluem escritos publicados no final dos anos vinte e comentários sobre o relativismo científico (Bérgson, Einstein).

Certamente, visamos pôr em relevo a vertente sociológica weberiana a que se liga e se contrapõe Ernst Bloch e centramos nossa leitura nas análises dialéticas em múltiplos níveis enfocando a crise então verificada na Alemanha.

Assinalamos notadamente que, ao pesquisar o psiquismo coletivo dos "de baixo", Ernst Bloch chega à descoberta de uma orientação fenomenológica indispensável à crítica do processus de formação do mundo moderno, aportando novos conhecimentos sobre a problemática dos modos de produção pré-capitalistas, com esclarecimentos indispensáveis que, todavia, restam pouco explorados [5] na pesquisa histórica.

Em modo mais amplo, as observações de leitura reunidas neste nosso trabalho contribuem para a reflexão do sociólogo sobre as linhas de pesquisa dialética alternativa ao legado de Max Weber, de que a obra de Ernst Bloch constitui inesgotável manancial [6].

Daí os capítulos elaborados sobre a leitura de "Thomas Münzer, Teólogo de la Revolución" [7], que é um ensaio sobre a importância das insurgências campesinas e da cultura do gótico tardio para a compreensão das superestruturas do capitalismo em modernização. Sendo nesse ensaio de 1921 que Ernst Bloch põe em obra a análise dialética orientada para a totalidade múltipla.

Finalmente, cabe acrescentar que alguns textos nesta coletânea são inéditos, outros contam versões anteriores publicadas junto ao OpenFSM [8], que ora foram corrigidas e aperfeiçoadas. Eventualmente, ocorreram algumas repetições [9].

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Maio de 2009

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Jacob (J.) Lumier



[1] Ernst (Simon) Bloch: Ludwigshafen, 1885-Tubinga, 1977. Exílio estadunidense (1938-1949) onde elaborou sua monumental obra "O Princípio Esperança" (publicada entre 1954 e 1959).

[2] Historiadores renomados observaram que o posicionamento de Ernst Bloch nos debates com Georges Lukacs, por exemplo, acentuavam a subjetividade. Cf. Lowy, Michael: ‘Para una Sociología de los Intelectuales Revolucionarios: La evolución politica de Lukacs-1909/1929’, tradução Ma. Dolores Pena, México, Siglo Veintiuno editores, 1978, 309pp. (1ª edição em Francês: Paris, PUF, 1976).

[3] Bachelar, Gaston: “La Dialectique de la Durée”, Paris, Press Universitaire de France - PUF, 1972, 151 pp., 1ª edition 1936.

[4] Ver Gurvitch, Georges (1894-1965): “Dialectique et Sociologie”, Flammarion, Paris 1962, 312 pp., Col. Science.

[5] Por ter acordado regressar para a Alemanha Comunista em 1948, Ernst Bloch sofreu o esquecimento. Primeiro, em virtude de sua oposição, que o levou desde 1957 ao afastamento da vida acadêmica, tendo sido excluído da RDA em 1961. Segundo, o fato de haver regressado dos EUA e, ao contrário dos grandes intelectuais igualmente exilados, ter aceito integrar-se na RDA, também lhe valeu um esquecimento no pensamento europeu, já que só em 1976 teve sua grande obra reconhecida e publicada em Paris.

[6] Ao utilizarmos as edições francesas e espanholas das obras de Ernst Bloch estamos secundados por Walter Benjamim, que verteu Baudelaire ao alemão por reconhecer a legitimidade das pesquisas sobre textos em versões traduzidas.

[7] Cf. Bloch, Ernst: Thomas Münzer, Teólogo de la Revolución ("Thomas Münzer als Theologe der Revolution", München 1921) Editorial Ciencia Nueva, Madrid, 1968.

[8] OpenFSM is a platform for social activism provided by the World Social Forum. Cf. A Home Page "Reflexão e Crítica".

[9] A primeira versão deste trabalho encontra-se difundida na Web da OEI, sob o título Crítica da Cultura e Comunicação Social.



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Ebook Issu 50 págs, Dezembro 2009
por
Jacob (J.) Lumier




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A Fenomenologia Concreta de Ernst Bloch by Jacob (J.) Lumier is licensed under a Creative Commons Reconocimiento-No comercial-Sin obras derivadas 3.0 Estados Unidos License.
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Estudo Sociológico dos Nós - Ebook Issuu

Apresentação
Do ponto de vista filosófico o problema de uma ordem ou hierarquia entre Massa, Comunidade e Comunhão surge em razão de que os valores morais são estritamente singularizados e para serem entrevistos ou afirmados exigem quer comunhões quer comunidades quer massas. Em maneira rudimentar, os filósofos entendem que o aperfeiçoamento moral de um Nós ou de um grupo tem a ver com a passagem da Massa à Comunidade ou à Comunhão.
Cultiva-se desta forma a convicção idealizada de que a intuição direta dos valores é sempre superior à fidelidade aos deveres, ou às imagens simbólicas ideais, e que o fato de experimentar valores seja uma condição indispensável em qualquer circunstância ou situação concreta para aceder à moralidade.
Por contra, sabe-se em realidade social que a respeito disto nada pode ser afirmado de antemão, porque a filosofia moral não é mais do que uma “reflexão posterior” sobre a experiência moral, que o sociólogo constata ser uma experiência imprevisível e infinitamente variável .
Tendo em conta essa imprevisibilidade, devem-se constatar o papel efetivo desempenhado pela Massa, pela Comunidade e pela Comunhão como quadros sociais. Tal o assunto deste artigo.




Ebook Issuu 52 págs. Dezembro 2009
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Jacob (J.) Lumier
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domingo, 13 de dezembro de 2009

Metodologia e Sociologia - Ebook Issuu

Este artigo tem um aspecto acadêmico. A alternativa fenomenologia ou sociologia foi colocada como crítica à sociologia diferencial no século 20 notadamente diante da crescente influência internacional nos meios universitários de seu incentivador Georges Gurvitch , o fundador da microssociologia .
Vários autores como veremos colocam estes termos fenomenologia ou sociologia, em forma de alternativa, para lançar dúvida sobre o alcance empírico da aplicação da idéia tridimensional em teoria sociológica.
Sabe-se por contra que é uma aquisição da teoria sociológica na tradição do realismo de Saint-Simon e do jovem Marx a constatação de que a realidade é em ato, é a realidade de alguém, logo, inseparável da experiência humana. Daí que ao elaborar sobre a realidade social o sociólogo já está aplicado sobre materiais empíricos.

Ebook Issu 30 págs.Dezembro 2009
por Jacob (J.) Lumier
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Dialética Sociológica, o Relativismo Científico e o Ceticismo de Sartre - Ebook Issuu

Este artigo investiga a dialética sociológica no âmbito da cultura científica do século XX tendo em conta por um lado a reflexão sobre as conseqüências metodológicas dos avanços em microfísica e por outro lado a reação da filosofia sartreana da história, como obstáculo.

Ebook Issuu 50 págs. Novembro 2009
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Jacob (J.) Lumier
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Karl Marx e a Sociologia do Conhecimento - Ebook Issu

A sociologia do conhecimento traz consigo para dentro do campo sociológico a pesquisa em psicologia coletiva. Da mesma forma que a introdução do problema da consciência coletiva por Emile Durkheim (1858-1917) acentuou essa ligação, a descoberta por Karl Marx (1818-1883) da realidade social por trás do fetichismo da mercadoria trouxe à luz o problema da dialética das alienações e com isto consolidou a pesquisa em psicologia coletiva como aquisição sociológica. Neste artigo tecemos comentários em vista de tornar acessível a leitura de Marx desde o ponto de vista da sociologia do conhecimento.

Ebook Issuu 64 págs. Novembro 2009
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Jacob (J.) Lumier
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Estrutura Social e Consciência Coletiva - Ebook Issu

Observações complementares ao artigo Karl Marx e a Sociologia do Conhecimento.

Ebook Issu 27 págs. Novembro 2009
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Jacob (J.) Lumier
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O Sociólogo e a Sociologia - Ebook Issuu

A era da automatização e das máquinas eletrônicas dá primazia lógica ao conhecimento técnico em um grau muito elevado e as outras manifestações do saber são influídas ao ponto de "tecnificarem-se" tanto quanto possível. Vimos a tecnificação avançada da filosofia, por exemplo, introduzida pelo “Tractadus Logico-Philosophicus" (1922). Há mecanização e tecnificação das relações humanas e dos problemas reais que suscitam a vida mental e a vida social atuais, com o objetivo de subordiná-los aos esquemas prefixados. Esta tendência para a tecnificação da filosofia e das ciências humanas deve ser situada no quadro da tecnocracia, e, em seu realismo, o sociólogo se opõe com firmeza à tecnocratização, não só dos conhecimentos e dos controles ou regulamentações sociais, mas das relações humanas . Neste sentido, faz par com o existencialismo de diferentes tendências que constituiu uma tentativa de resistência em nome do Eu, do Outro, das coletividades concretas à tecnificação.

Ebook Issuu 43 págs. Novembro 2009
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Jacob (J.) Lumier
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Indivíduo e Sociedade - Ebook Issuu

Os fatos sociais exercem sobre os indivíduos uma preeminência psicológica e moral. Sociólogos notáveis chegaram à compreensão de que o indivíduo volta a encontrar o social igualmente nas profundidades do seu próprio Eu. Os dois termos "indivíduo e sociedade" são de uma ambiguidade extrema que se torna um impasse se nos obstinarmos em considerar esses dois termos como antitéticos. Essa ambiguidade será posta em relevo na análise sociológica diferencial ao rejeitar não a realidade do indivíduo e da sociedade, mas unicamente o erro inaceitável de que esses termos sejam tratados como entidades exteriores uma a outra.

Ebook Issuu 20 págs. Novembro 2009
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Pluralismo e Sociologia: Uma Reflexão em vista dos Direitos Humanos e Sociais - Ebook Issuu

O pluralismo social efetivo estudado no realismo relativista dialético sociológico, como dinâmica característica dos elementos microssociais, não se deixa confundir aos posicionamentos pseudopluralistas das teorias axiomáticas de coação no plano das técnicas políticas. Nestas últimas, há um afastamento do antidogmatismo próprio ao realismo sociológico e, erroneamente, se permitem misturar certas formulações sociológicas às projeções de filosofia social. Tal é o biais ideológico que notamos, por exemplo, nos escritos de Ralf Dahrendorf, o erro no método, com a assimilação do pluralismo dos contrapoderes a uma teoria da coação, resultando na compreensão equivocada de que as mudanças nas estruturas devem ser atribuídas a uma discursiva dialética do poder e da resistência.

Ebook Issuu 26 págs. Novembro 2009
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Imitação e Vida Coletiva - Ebook Issuu

Durkheim, Gabriel Tarde e o Problema da Formação de um Sentimento Coletivo. Anotações Complementares ao artigo "Estrutura Social e Consciência Coletiva"

Ebook Issuu 23 págs. Dezembro 2009
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Pluralismo e Sociologia Parte 2 - Ebook Issuu

No âmbito da História Parlamentar se descobre o pluralismo social efetivo desdobrando-se a partir das manifestações da sociabilidade, incluindo nestas o próprio foco da vida do Direito, a saber: a afirmação espontânea do prévio equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros. Por sua vez, será este equilíbrio dinâmico que o sistema de freios e contrapesos como conceito de técnica constitucional visa configurar em sua aplicação ao pluralismo mais concreto dos agrupamentos particulares em suas disputas de interesses em face do Estado. Deste ponto de vista de realismo sociológico não há maneira de caracterizar o pluralismo dos contrapoders como teoria de coação.

Ebook Issuu 26 págs. Dezembro 2009

por Jacob (J.) Lumier
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Ecologia e Sociologia - Ebook Issuu

Notas sobre a vida moral como sentimento de pertença aos grupos sociais (Seria Durkheim altermundialista?) Artigo originalmente postado na Web de Sociologists without borders (SSF) Think Tank /// Abstract : A oposição de Durkheim à doutrina eudemonista do utilitarismo inte-ressa à crítica ao produtivismo exercida pelo altermundialismo. Em sua obra, essa oposição a qualquer absoluto eudemonista não é episódica, mas fundamental à sociologia da vida moral fundada por ele, cujo de-senvolvimento, porém, exige tomar em consideração o aporte de seu continuador Georges Gurvitch.

Ebook Issu 53 págs. Dezembro 2009

por Jacob (J.) Lumier
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As Aplicações da Sociologia do Conhecimento - Ebook Issuu

Admitindo que nenhuma comunicação pode ter lugar sem o psiquismo coletivo, em sociologia a existência dos conhecimentos coletivos e suas hierarquias ou sistemas é preponderante. Estudam-se os sistemas cognitivos a partir dos tipos de sociedades globais decompondo-os segundo as classes do conhecimento que, por sua vez, podem ser (a) – mais profundamente implicados na realidade social – o conhecimento perceptivo do mundo exterior, o conhecimento de outro e o conhecimento de senso comum, estudados nesta seqüência; (b) – menos espontaneamente ligadas aos quadros sociais ou cuja ligação funcional requer o diálogo e o debate: como é o caso para o conhecimento técnico, o conhecimento político, o conhecimento científico e o conhecimento filosófico.

Ebook Issuu 31 págs. Dezembro 2009
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Jacob (J.) Lumier
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